Executivos criam framework para resolver zona cega e reduzir custo do frete
Decision Gap Framework nomeia o intervalo não gerenciado entre planejamento e execução das entregas, etapa que pode representar bilhões em perdas anuais no transporte rodoviário.
Uma metodologia denominada “Decision Gap Framework” propõe estruturar o processo de decisão que ocorre entre o planejamento logístico e a execução do transporte em operações com frota terceirizada. O modelo foi formalizado pelos executivos brasileiros Sérgio Simões e Claudio Sampaio, fundadores da MovimentAI.
Segundo Simões, essa etapa, quando não estruturada, pode gerar índices de até 11% de ausência no carregamento — situação em que o motorista confirma presença, mas não comparece, prática conhecida como “no-show”.
A proposta parte da constatação de que, embora os sistemas de gestão de transportes (TMS) tenham evoluído na otimização de rotas, a definição de qual motorista ou transportadora executará cada coleta ainda ocorre de forma manual em 94% das operações com frota terceirizada, com uso de planilhas e aplicativos de mensagens.
“O setor investiu duas décadas automatizando o planejamento, mas ignorou que 70% das empresas hoje operam com frota agregada, não própria. Entre a rota pronta e o caminhão carregado existe um vácuo decisório que consome margem de forma invisível”, afirma Simões, que identificou o padrão ao longo de 15 anos em diversas operações.
De acordo com dados públicos da Associação Brasileira de Logística (Abralog), o transporte rodoviário movimenta cerca de R$ 270 bilhões por ano no Brasil, com aumento da dependência de frota terceirizada na última década.
Segundo levantamento da MovimentAI com 50 operações logísticas de médio e grande porte, esse intervalo operacional registra 11% de ausências no carregamento, pode gerar aumento de até 40% no custo do frete em casos de substituição emergencial e demanda cerca de quatro horas diárias da equipe operacional para gestão manual de ofertas e resolução de falhas.
DA GESTÃO DE FROTA À GESTÃO DE TAREFAS
Segundo Claudio Sampaio, a plataforma nasceu de uma mudança de paradigma. “As ferramentas atuais tratam o motorista agregado como se fosse frota interna. Isso funciona quando você tem 100% de previsibilidade. Na prática, a disponibilidade de um terceiro muda a cada 20 minutos. Criamos a MovimentAI como um sistema de gestão de tarefas, não de frotas. A pergunta não é ‘qual caminhão vai’, mas ‘quem aceita ir agora, com este critério, por este valor'”, afirmou.
A MovimentAI reporta redução de até 80% nas ausências de motoristas e economia de 40% no tempo operacional em clientes que adotaram o framework nos primeiros meses de uso.
METODOLOGIA ESTRUTURADA
O Decision Gap Framework é uma metodologia voltada a estruturar o processo de decisão que ocorre entre a criação da tarefa logística e a execução efetiva. Ele parte do princípio de que, em operações com transporte terceirizado, a escolha de qual motorista ou transportadora executará cada carga não pode depender de comunicação informal ou critérios subjetivos.
A metodologia estabelece quatro etapas sequenciais: identificação do ponto exato em que a decisão deixa o sistema e passa a ser manual; mensuração financeira do impacto de falhas como ausência confirmada, atraso de aceite ou substituição emergencial; definição de critérios objetivos de priorização (histórico de presença, disponibilidade real time, tempo médio de resposta, custo X risco, habilidades especificas, zonas de atendimento); e implementação de indicadores contínuos que permitam auditoria do processo decisório.
Na prática, o framework desloca a lógica de gestão da frota para a lógica de gestão de tarefa. Cada carga deixa de ser apenas um “frete a ser coberto” e passa a ser tratada como uma unidade estruturada de execução, com regras próprias, critérios mínimos de elegibilidade e prazos definidos. A tarefa nasce com SLA de aceite, score mínimo exigido do executor, parâmetros de custo aceitável e regras automáticas de re-oferta ou escalonamento caso não haja confirmação dentro do tempo estipulado.
“As ferramentas tradicionais foram desenhadas para ativos próprios. Em operações com terceiros, a disponibilidade é dinâmica e precisa ser tratada como variável de decisão”, explicou Claudio Sampaio.
A MovimentAI foi desenvolvida como a camada tecnológica que operacionaliza o Decision Gap Framework dentro das empresas. Em vez de atuar como mais um sistema de controle de frota, a plataforma estrutura a lógica de gestão por tarefa, automatizando critérios de elegibilidade, priorização e escalonamento na alocação de motoristas e transportadoras.
Cada carga passa a seguir um fluxo parametrizado, com SLA de aceite, score mínimo operacional e regras de contingência registradas e auditáveis. Dessa forma, o que antes dependia de ligações, planilhas e decisões informais passa a ser um processo governável, mensurável e integrado à estratégia operacional.
Fonte: Mundo Logística