Audiovisual brasileiro busca ampliar exportações e transformar criatividade em negócios internacionais
Transformar a criatividade e o reconhecimento internacional do audiovisual brasileiro em oportunidades concretas de negócios é um dos desafios para o fortalecimento da indústria. Nesse cenário, a estratégia de internacionalização passa por ampliar a base de empresas exportadoras, melhorar a oferta brasileira de produtos e serviços e qualificar e ampliar a demanda internacional. No RioMarket 2026, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentou caminhos para impulsionar esse processo, atuando na conexão entre produtores brasileiros e mercados, compradores, distribuidores e agentes internacionais.
A atuação da ApexBrasil no setor parte de uma estratégia de internacionalização construída em parceria com entidades representativas da indústria. A Agência apoia mais de 50 setores por meio de convênios com entidades setoriais e, no audiovisual, trabalha em diferentes verticais, como cinema, animação, conteúdo, publicidade e games. A atuação inclui capacitação, inteligência de mercado, missões, rodadas de negócios e matchmaking, além da utilização da rede de escritórios da ApexBrasil no exterior para identificar oportunidades concretas para produtos e serviços brasileiros.
“O audiovisual é uma das indústrias mais complexas e completas, porque envolve diversos segmentos. Para a ApexBrasil, que trabalha na promoção dos negócios brasileiros, das empresas e dos empreendedores, é um setor estratégico. Nós realizamos mais de 1.100 eventos internacionais por ano e estamos constantemente promovendo o Brasil em diferentes mercados, por meio de conferências, rodadas de negócios e outras iniciativas. No audiovisual, isso significa também atrair produções e coproduções, parcerias e investimentos que possam ser realizados no Brasil. Temos experiência em promover produtos brasileiros e queremos colocar essa experiência a serviço desse setor. É por isso que estamos juntos e conectados com a indústria audiovisual”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.
O objetivo é fazer com que o talento e a criatividade brasileiros sejam cada vez mais compreendidos como ativos econômicos no comércio internacional. Para isso, a estratégia considera não apenas a oferta existente no Brasil, mas também o que os diferentes mercados procuram, permitindo que produtores conheçam tendências, identifiquem nichos e desenvolvam conteúdos com maior potencial de circulação internacional.
Os resultados já alcançados mostram o potencial de crescimento. Nos últimos dois anos, as iniciativas acompanhadas pela ApexBrasil no âmbito de coproduções e distribuição internacional envolveram cerca de 75 produções e projetos, com aproximadamente US$ 60 milhões alcançados no último ano. A perspectiva é ampliar esses números a partir de uma oferta exportadora mais estruturada e de uma comunicação mais adequada à linguagem dos distribuidores e agentes de vendas internacionais.
Internacionalização foi tema de painel no RioMarket
A estratégia de promoção da indústria audiovisual brasileira também foi discutida no painel “Programa de Promoção da Indústria Audiovisual Brasileira”, realizado durante o RioMarket 2026, com a participação da especialista de Negócios Internacionais em Audiovisual da ApexBrasil, Juliana Vasconcelos; da diretora do RioMarket e do Festival do Rio, Walkiria Barbosa; e da coordenadora institucional do Cinema do Brasil, Karen Halley.
Durante o encontro, a especialista de Negócios Internacionais em Audiovisual da ApexBrasil, Juliana Vasconcelos, destacou que a Agência atua para fortalecer a cultura exportadora do setor e transformar a criatividade e o talento brasileiros em ativos capazes de gerar negócios no mercado internacional. A estratégia parte da compreensão das demandas de diferentes mercados para orientar a preparação dos produtores brasileiros e ampliar as oportunidades de inserção internacional.
A diretora do RioMarket e do Festival do Rio, Walkiria Barbosa, destacou os avanços na conexão do audiovisual brasileiro com mercados internacionais. Segundo ela, a realização de rodadas de negócios presenciais e online, a ampliação de acordos de cooperação e a criação de novas ferramentas de conexão podem contribuir para aproximar o setor de oportunidades em diferentes países.
“Estamos dando passos importantes para fortalecer a presença do audiovisual brasileiro no mercado internacional. Já realizamos quase mil rodadas de negócios, incluindo encontros presenciais e online, que têm sido uma experiência muito positiva para aproximar o Brasil de mercados mais distantes. Também estamos ampliando os acordos de cooperação com outros países e lançando uma plataforma que vai conectar os principais mercados do audiovisual no mundo e reunir informações sobre as oportunidades de cada um deles. O objetivo é transformar todo esse trabalho em resultados concretos para o setor.”
Já a coordenadora institucional do Cinema do Brasil, Karen Halley, destacou a coprodução como uma das principais portas de entrada para projetos brasileiros no mercado internacional. O Cinema do Brasil promove encontros e parcerias com instituições de outros países para aproximar produtores interessados em desenvolver projetos em conjunto.
“Para um projeto ou para um filme brasileiro se tornar internacional, existem vários caminhos. O primeiro deles é a coprodução. Você pode apresentar o seu projeto para produtores de outros países.”
Segundo Karen, o trabalho também contempla projetos em desenvolvimento ou finalização, aproximando profissionais brasileiros de distribuidores e agentes de vendas interessados em levar essas produções para outros mercados. A coprodução pode ainda ampliar desde o início o alcance internacional de um filme, ao conectar a produção a parceiros e mercados de diferentes países.
A discussão também contou com a participação de Márcio Elias, que destacou a capacidade brasileira de combinar criatividade e inovação e defendeu uma visão de indústria voltada para o mercado internacional.
“O Brasil tem uma liderança importante em conteúdo e uma capacidade criadora muito grande, além de capacidade de inovação tecnológica. O audiovisual incorpora essa inovação e, para ser competitivo, precisa ter qualidade tanto no conteúdo quanto na forma. O mercado interno é essencial, mas, se estivermos de costas para o mundo, não sustentamos o crescimento dos nossos produtos. O Brasil tem qualidade, uma marca forte e uma riqueza cultural que não podemos desperdiçar. Por isso, política industrial, política industrial do audiovisual e política de comércio exterior para o audiovisual são três pilares que vamos construir juntos daqui para frente.”
A avaliação é de que o Brasil vive um momento especialmente favorável para ampliar sua presença internacional. O reconhecimento obtido por produções brasileiras em festivais e premiações internacionais fortalece a visibilidade do país e abre portas para novos conteúdos. A partir desse reconhecimento, a indústria tem o desafio de estruturar mecanismos capazes de transformar visibilidade em distribuição, coproduções e negócios.
Além da dimensão cultural, o fortalecimento da indústria audiovisual representa uma oportunidade econômica. Dados apresentados durante o encontro apontam que o setor adicionou R$ 70,2 bilhões à economia brasileira em 2024, equivalente a aproximadamente 0,6% do PIB nacional, com potencial de chegar a 1,5% nos próximos anos.
Nesse contexto, ampliar a base exportadora, qualificar a oferta brasileira e entender melhor a demanda internacional são etapas complementares de uma mesma estratégia: criar condições para que mais empresas brasileiras acessem mercados estrangeiros e para que o audiovisual se consolide como uma indústria capaz de gerar negócios, divisas e empregos.
Fonte: Apex-Brasil
