-->
Home | Oil & Gas | Chevron diz que Brasil é plataforma estratégica para negócios da empresa
Postado em 2 de junho de 2020 | 17:37

Chevron diz que Brasil é plataforma estratégica para negócios da empresa

Para fechar nossa cobertura do webinar promovido pela FGV Energia, que reuniu os principais executivos das maiores petroleiras presentes no Brasil, vamos conhecer agora as opiniões e ações reveladas pelo presidente da Chevron no Brasil, Mariano Vela. O executivo afirmou que o Brasil é uma plataforma estratégica para a empresa, mas pede também incentivos regulatórios que possam aumentar a competitividade do país. Vela explicou ainda que a Chevron está em um período de transição no Brasil, saindo dos ativos de pós-sal e entrando na camada do pré-sal. Neste caso, os projetos da companhia estão ainda na etapa de exploração, onde o capital investido ainda não é tão intenso. Ele ainda elencou algumas das ações adotadas pela companhia para preservar as finanças da empresa e a segurança de seus colaboradores.

“Eu queria falar com uma perspectiva distinta. Quero mostrar qual as ações que a Chevron tem tomado mundialmente e, ao final, dar uma perspectiva de como o portfólio no Brasil se encaixa nisso.  Não podemos deixar de levar em conta que essa situação é extrema e que está afetando toda nossas companhias. Quero colocar isso em contexto para poder ajudar a nossa conversa que queremos ter aqui.

A Chevron tomou cinco ações. A primeira foi manter segurança e a confiabilidade dessas operações. Temos um certo número de infectados. Toda nossa companhia tem que tomar medidas preventivas e seguir com os níveis essenciais de segurança de nossos empregados. Além disso, ainda dentro do tema de operações seguras, precisamos ajudar as comunidades onde trabalhamos. A indústria tem sido um exemplo por meio de doações de recursos e de equipamentos de proteção individual. É uma ação muito importante, porque somos partes da comunidade.

As operações seguras são parte desta conversa do contexto e há significativamente coisas que temos que fazer. Mundialmente, a Chevron espera, que para o segundo trimestre o número de rigs que estamos operando vai cair em 60%. Quanto às nossas refinarias, elas estão operando em 60%. O mercado está desbalanceado, o que não é novo, mas isso tem sido significativo para nós. Então, é muito importante levar isso em conta. Este é o primeiro ponto – manter as operações seguras.

O segundo ponto é que as companhias estão se ajustando para reduzir capital. Em nosso caso, a Chevron iniciou o ano com um pressuposto de US$ 20 bilhões em investimentos e, para este momento, já temos um Capex previsto de US$ 14 bilhões, uma redução de 30% no nosso capital. Esse valor será principalmente focado em nosso major capital project no Cazaquistão e no que chamamos de short cycle investiments. Isto é, recursos não convencionais em EUA, Argentina e Canadá, que permitem que tenhamos shot cycle investiments e que possamos aumentar e diminuir proporcionalmente este tipo. Antes, tínhamos uma companhia que estava em long cycle, em projetos de largo ciclo. E agora, mudamos nosso portfólio, o que nos dá certa flexibilidade.

O outro tema é o custo operacional. Pensamos que por meio de custos mais baixos, vamos neste ano economizar US$ 1 bilhão. Antes da pandemia, já estávamos com programas que incluem a reorganização dentro da companhia mundialmente, onde também esperamos capturar a economia de outro US$ 1 bilhão em termos de custos operativos. Acreditamos que nossa reestruturação vai prover uma simplificação da organização até o fim de ano.

O quarto ponto é o balance sheet. Entramos nesta crise e nossa companhia entrou em uma posição de fortaleza e que nos vai permitir encarar esse período de recessão com uma fortaleza. Isso é muito importante. E como faremos para proteger esse balance sheet? Vamos fazê-lo com as iniciativas que mencionei anteriormente. O objetivo principal é proteger algo que para nossos shareholders é fundamental: os dividendos. Essa é a prioridade número 1 da Chevron.

No Brasil, estamos em um processo de transição, onde no ano passado, finalizamos o desinvestimento em Frade. Este ano, colocamos dentro do nosso programa de desinvestimentos a nossa participação em Papa Terra. Mas, ao mesmo tempo, nos últimos anos compramos 11 blocos exploratórios, onde participamos junto com outras companhias.

Neste sentido, queremos todas essas ações que mencionei preservem nossa opção de investimentos de longo prazo. E é aí que nós vemos que o Brasil se encaixa em nosso portfólio. É fundamental que o Brasil não se apoie na geologia. Só a geologia não ajuda. Tem que haver o incentivo do ponto de vista regulatório. A competitividade é fundamental. Em momentos de escassez, o que é necessário é alocar. E a chave para alocar recursos é: vamos alocar onde os projetos são mais competitivos para nosso portfólio. É muito importante para nós que o Brasil seja atrativo.”

A Chevron anunciou redução de produção, redução de investimentos e a suspensão do programa de recompra de ações. Mas foi uma das únicas empresas com resultado positivo no primeiro trimestre. Como isso impactará as atividades no Brasil?

“Nossa indústria é muito intensiva em capital. E teremos que preservar capital, como os colegas [se referindo aos demais executivos do webinar] indicaram. É muito importante em momentos de recessão.

Temos que entender onde está a Chevron neste timeline e como esta pandemia e a recessão toma a Chevron no Brasil. Essencialmente, estamos em uma boa situação. Estamos essencialmente nesta transição de ativos do pós-sal, como Frade e Papa Terra, para ativos do pré-sal. Creio que nesta situação, a nossa expectativa é que as mudanças que poderemos ter não são tão significativas, como poderia ter acontecido em um momento em que tivéssemos muitos ativos ou muito capital investido. Isto seria um problema. 

Uma das nossas metas, dentro da mentalidade de preservar valor, é que se há um capital investido já sancionado, a política da companhia é de completar o projeto. Mas no momento, estamos no início da exploração, onde o uso de capital não é muito intensivo. Creio que estamos bem posicionados. Estrategicamente para a Chevron, o Brasil é uma plataforma estratégica importante.”

 

 

Fonte: Petro Notícias


137 queries in 2,590 seconds