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Exportadores de frango do Brasil adotam rotas mais longas para contornar guerra no Oriente Médio

Com as ameaças das autoridades do Irã de incendiar os navios que trafegarem pelo Estreito de Ormuz, parte das exportações de carne de frango do Brasil ficou sob risco. Para contornar a guerra e abastecer os mercados do Oriente Médio, os armadores tiveram de buscar alternativas.

Na segunda-feira, 2, eles haviam informado que evitariam tanto Ormuz (canal entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos) quanto outras rotas para a região, como as pelo Mar Vermelho.

Isso mudou, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Alguns embarcadores já aceitam entrar na região pelo Sul, pelo Mar Vermelho, por meio do Canal de Aden. Outra rota para o Mar Vermelho, pelo Canal de Suez, no entanto, está fechada preventivamente, por conta de decisão do administrador.

O Brasil se especializou nesse mercado

No ano passado, os países do Oriente Médio compraram cerca de US$ 3 bilhões em frango do Brasil e, assim, responderam por 29% das exportações do produto. Aproximadamente 200 mil contêineres por ano são enviados para a região. São de 250 a 300 contêineres por dia. A região, majoritariamente de consumidores muçulmanos e judeus, não é grande consumidora de carne suína.

“São parceiras longevas de longo prazo. O Brasil se especializou para atender esses mercados, e eles dependem do nosso fornecimento. Estamos trabalhando com o Ministério da Agricultura para garantir essas entregas, até para alimentar essas populações que podem ser afetadas pela guerra”, afirma Santin.

Os Emirados Árabes Unidos receberam 480 mil toneladas de frango no ano passado e têm 72% das exportações do produto vindo do Brasil. Mas a nação mais dependente da região é a Jordânia, com 92% das importações vindas do País, tendo comprado 74 mil toneladas, em 2025.

 

 

Fonte: Estadão

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