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Rio de Janeiro já alcança US$ 45 bilhões em exportações em 2026 e amplia aposta na diversificação de mercados

O Rio de Janeiro já alcançou US$ 45 bilhões em exportações em 2026 e caminha para superar o recorde do ano passado, quando as vendas externas do estado atingiram US$ 49 bilhões. O balanço foi apresentado nesta quinta-feira (8), no Rio de Janeiro, durante o Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira. O encontro reuniu lideranças governamentais, entidades de apoio e empresários para discutir competitividade, abertura de novos mercados e formas de impulsionar os negócios fluminenses no cenário internacional.

Realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o evento contou com a presença do ministro em exercício do MDIC, Márcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e do presidente da ABDI, Olavo Noleto; além de representantes da Firjan, BNDES, Sebrae/RJ e empresas locais.

Acordo com a União Europeia acelera vendas externas

Um dos eixos centrais do encontro foi o impacto do Acordo Mercosul-União Europeia. O ministro em exercício do MDIC, Márcio Elias Rosa, ressaltou que a parceria já produz resultados expressivos para o país e enfatizou a necessidade de o empresariado aproveitar as vantagens tarifárias obtidas.

“De maio até hoje, nossas exportações para a União Europeia já cresceram aproximadamente 30%. A redução de tarifas para um volume expressivo de produtos brasileiros é uma oportunidade de negócios concreta que precisa ser aproveitada pelo setor produtivo”, destacou Márcio Elias Rosa.

O ministro também reforçou que a diversificação de destinos exportadores é uma estratégia importante para proteger a indústria nacional diante do cenário geopolítico global. Segundo ele, a conquista de novas rotas é fundamental para ampliar a inserção internacional e a produtividade da indústria.

Além do petróleo: Rio cresce 20% nos demais setores

Embora o petróleo lidere a pauta fluminense de exportações, o estado vem demonstrando forte dinamismo em outros segmentos. O Rio reúne vocações consolidadas e emergentes em moda, metalmecânica, automobilística, alimentos e bebidas, indústria criativa, vinhos e cachaças.

“O petróleo é o grande puxador, mas o fato mais interessante é que, quando olhamos para todos os outros produtos, as exportações fluminenses estão crescendo 20% este ano. Saltamos de quase US$ 7 bilhões para cerca de US$ 9 bilhões nesse conjunto de setores”, destacou Laudemir Müller.

A ApexBrasil já atendeu cerca de 1,1 mil empresas no estado do Rio de Janeiro. A Agência busca conectar os negócios fluminenses às transformações do comércio global, com atenção especial aos pequenos e médios empresários.

Inteligência de mercado decifra 717 oportunidades para o Rio

Para transformar as informações do acordo em estratégias de negócios, a ApexBrasil apresentou durante o evento o Painel de Oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia, ferramenta pública de inteligência comercial.

O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, explicou que a solução foi desenvolvida para traduzir a complexidade do acordo em informações diretamente úteis para os exportadores, facilitando a identificação de oportunidades de negócios.

No recorte exclusivo para o Rio de Janeiro, o painel mapeou 717 oportunidades de negócios. Atualmente, o estado exporta cerca de US$ 49 bilhões globalmente e US$ 10 bilhões para o bloco europeu, somando 567 empresas fluminenses com presença ativa na União Europeia. O cruzamento de dados busca orientar tanto empresas que já exportam a diversificar sua carteira quanto novos negócios interessados em realizar a primeira venda externa.

Marco histórico no comércio internacional

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, destacou que o país vive um momento de transformação na sua inserção internacional. Com os avanços dos acordos do Mercosul com a União Europeia, Singapura e EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), a fatia do comércio exterior brasileiro amparada por acordos de preferência saltou de 12,4% para mais de 31%.

O bloco europeu também tem peso estratégico para o Rio de Janeiro, sendo destino de cerca de 20% de tudo o que o estado vende ao exterior. Tatiana ressaltou ainda o potencial do acordo para o setor de serviços, especialmente em segmentos como tecnologia da informação, engenharia, arquitetura e consultoria.

Política industrial estruturada impulsiona a competitividade

A expansão do comércio internacional está ligada ao fortalecimento da capacidade produtiva interna. O presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou que a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano Mais Produção demonstram a confiança do setor privado no apoio governamental à inovação e ao investimento.

Segundo Noleto, a demanda do setor privado por recursos levou à ampliação do Plano Mais Produção: os R$ 300 bilhões anunciados originalmente não foram suficientes e o programa chegou à casa dos R$ 800 bilhões.

Indústria fluminense no centro do debate

A programação do Conexões Produtivas proporcionou um ambiente direto de debate entre gestores públicos e empresários fluminenses. Após a abertura oficial, o painel “A Voz da Indústria Fluminense: desafios e oportunidades para competir no mercado internacional” trouxe relatos práticos de Alessa Migani, CEO da Alessa, e Henrique Osório, presidente da SACOR, sob moderação de Claudine Bichara (Sebrae/RJ).

Ao longo do dia, especialistas debateram acordos comerciais, captação de recursos e linhas de financiamento público à exportação, com Ana Paula Bernardino (BNDES), além de diretrizes para a inserção na Nova Indústria Brasil, com Luis Felipe Giesteira, e soluções de Indústria 4.0, com Thiago Mendes Lima (ABDI). O evento também contou com atendimentos individuais a empresas, ampliando as oportunidades de conexão e orientação para empresas fluminenses interessadas em avançar no processo de internacionalização.

Exportações para a União Europeia crescem com o Acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 37,3 bilhões de janeiro a agosto de 2026, recorde para o período e US$ 4,8 bilhões acima do registrado nos mesmos meses de 2025. O crescimento alcançou todas as categorias de produtos previstas no Acordo. As vendas de itens com tarifa zerada de imediato subiram 27,9%, um acréscimo de US$ 2,9 bilhões, e as de produtos sujeitos a cotas avançaram 22,8%, com US$ 1,7 bilhão a mais. Outros US$ 148,3 milhões vieram de produtos que o Brasil não havia exportado para o bloco em 2025.

O recorte dos meses de vigência do Acordo mostra um ritmo ainda mais forte. De maio a setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 27,2 bilhões para a UE, alta de 30,6% (US$ 6,4 bilhões a mais) sobre o mesmo intervalo de 2025. As importações chegaram a US$ 22,5 bilhões (+3,1%) e a corrente de comércio atingiu US$ 49,7 bilhões (+16,6%). O saldo passou de um déficit de US$ 965,9 milhões em 2025 para um superávit de US$ 4,7 bilhões em 2026.

 

Fonte: Apex-Brasil

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