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Postado em 19 de junho de 2018 | 16:56

Tecnologia blockchain deve impulsionar o comércio exterior

As transações comerciais internacionais tendem a ganhar maior rapidez e volume com a incorporação da tecnologia blockchain, que é a base das criptomoedas, por facilitar o fluxo das transações entre parceiros comerciais de diferentes nacionalidades. Há alguns dias, o banco HSBC anunciou aos quatro cantos do mundo ter realizado, juntamente com o banco holandês Dutch ING, a primeira transação de comércio internacional utilizando somente a tecnologia blockchain, ao intermediar a comercialização de um carregamento de soja da Argentina para a Malásia.

O grande diferencial nesse processo todo foi a possibilidade de se recorrer a uma plataforma que economiza tempo, evita burocracia e permite a finalização da negociação em um prazo mínimo de tempo – operações com criptomoedas são realizadas instantaneamente –, sendo que em uma operação tradicional poderia demorar de dois a cinco dias.

É a tecnologia blockchain que permite a realização de transações mais rápidas e seguras por não depender dos bancos centrais dos países envolvidos na negociação – exportador ou importador – ou dos bancos de Nova York e Londres, que centralizam as operações de câmbio em dólar e euro.

Seria interessante dizer que a operação é mais rápida por não depender do Banco Central do país exportador, nem do Banco Central do país importador ou mesmo dos bancos de Nova York e Londres que centralizam as operações de câmbio em moedas como o dólar americano e o euro. Desta forma, o blockchain descentraliza a verificação que é criptografada e, com isso, reduz-se custo e tempo.

Para viabilizar a transação da soja argentina, a plataforma utilizada foi desenvolvida pelo consórcio R3, do qual HSBC e banco ING fazem parte, e batizada de “Corda Blockchain”.

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Apesar de ainda causar um certo espanto em parte do empresariado, a tecnologia blockchain vai se consolidar rapidamente. O bitcoin é apenas uma e, talvez, a mais famosa, das inúmeras possibilidades de uso do blockchain, item que quem atua na área de comércio exterior terá que conviver em breve. É o mesmo que ocorreu com os cartões de crédito e débito, quando há alguns anos se falava no “dinheiro de plástico”. Hoje, quem quer se manter no mercado precisa estar interligado à rede bancária para executar a transferência financeira de valores.

Até então, todas as modalidades de pagamento no comércio internacional apresentavam riscos, vantagens e desvantagens. Prazos e questões cambiais estão entre alguns dos fatores considerados para se definir como comprar ou vender produtos no mercado externo. Carta de crédito, cobrança documentária e pagamento antecipado são algumas das possibilidades existentes atualmente, mas todas exigem documentos e outros requisitos que comprometem a agilidade do processo.

Já o conceito da tecnologia por trás das moedas virtuais – o blockchain –, que são protegidas por operações criptografadas, é o de permitir que as transações sejam descentralizadas e efetuadas diretamente entre os usuários, eliminando a interferência de instituições, órgãos de controle e governos.

Grandes redes bancárias, governos e startups já se atentaram para o potencial do blockchain e estão dedicando especial atenção para descobrir como explorá-lo visando à redução de custos e melhoria de eficiência.

Uma das grandes vantagens do uso de moedas virtuais no comércio exterior está justamente na facilidade e baixo custo para a transferência de valores para qualquer lugar do planeta

Segundo pesquisa da Deloitte realizada no final de 2016 com 308 executivos seniores conhecedores de blockchain em organizações com receita anual superior a US$ 500 milhões, muitos colocam esse tipo de tecnologia entre as maiores prioridades de sua empresa. Para 36%, o blockchain tem potencial de melhorar as operações dos sistemas, reduzindo os custos ou aumentando a velocidade. Outros 37% consideram os recursos de segurança superior do blockchain como sua principal vantagem.

Nos processos de importação e exportação, essa tecnologia pode ser aplicada ao monitoramento e distribuição de contêineres, rastreamento de embarques, acompanhamento dos fretes e uma série de outros serviços.

Ainda que seu uso esteja em um estágio inicial e demore algum tempo para ser integrado à realidade das empresas tanto no Brasil quanto no exterior, o fato de oferecer oportunidades de transações rápidas e seguras e operações que podem ser monitoradas ao longo de sua trajetória já mostra que o blockchain representa um grande avanço para todo o setor de comércio exterior.

Kleber Fontes é diretor do Grupo Casco Comércio Exterio e Logística, consultor e palestrante.

Fonte: Gazeta do Povo

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