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Postado em 28 de maio de 2020 | 12:31

Serviços offshore durante a pandemia

Com a declaração da pandemia pela OMS em 11 de março de 2020, quase todos os serviços agendados pelos nossos clientes foram suspensos. Pouco se sabia sobre os impactos e ciclo do vírus no ambiente brasileiro e, por consequência, medidas de segurança ainda não estavam maduras.

Inicialmente, disponibilizamos e incentivamos: o uso de máscaras de proteção; motoristas particulares por conta da indisponibilidade de ônibus interurbanos; autorizações para transpor barreiras sanitárias nas estradas e; diálogo com os funcionários para providenciar o necessário para diminuir a sensação de insegurança.

Após as duas primeiras semanas de incertezas e poucos serviços, a fila de atendimentos voltava a andar, já que a produção de petróleo não podia parar.

Infelizmente, a situação da pandemia foi se agravando. Foram identificados casos de Covid-19 a bordo de plataformas e embarcações no Brasil e foi necessário alterar a rotina das empresas que atuam no mercado offshore.

Os impactos nas políticas de trabalho

Apesar das medidas para evitar o coronavírus nas atividades offshore notificadas pela ANP e pelos órgãos do governo, não existe uma política única adotada pelas petroleiras frente à Covid-19. Cada petroleira está implementando as próprias orientações para preservar a saúde dos trabalhadores e dar continuidade à produção de petróleo e gás.

Primeiramente, os nossos clientes, com medidas mais conservadoras, implementaram uma semana de confinamento em quarto de hotel antes do embarque. Essa medida foi aplicada na esperança que, em caso de infecção, qualquer sintoma da doença pudesse aparecer antes do embarque. Na sequência, outras empresas tomavam medidas menos efetivas como verificação de temperatura corporal antes do embarque, ou solicitação de laudo médico dos funcionários por serviço.

Como prestador de serviços offshore, vimos a necessidade de adotar medidas preventivas e garantidoras dos direitos dos trabalhadores e segurança das operações e, em razão da gravidade da pandemia, foi preciso trabalhar com regime de segurança máxima para garantir a saúde dos funcionários e a continuação das operações offshore.

Além de realizar exames médicos, os nossos técnicos, que prestam serviços offshore, estão sendo obrigados a ficar em isolamento antes do embarque. No caso de alguém mostrar sintomas de contaminação e/ou teve contato com uma pessoa que foi contaminada, a nossa política de segurança não permite que este técnico seja liberado para prestar serviços.

Em decorrência desta política de segurança mais severa, não temos registrado nenhum caso positivo de Covid-19 até este momento e podemos relatar somente uma situação que causou uma preocupação maior.

Tivemos um incidente com um funcionário que embarcou no mesmo voo de uma pessoa que, durante o período a bordo, apresentou sintomas do vírus. A resposta imediata do nosso cliente foi isolar a bordo o suspeito e todos que tiveram algum contato com ele. Foi estabelecido contato com a equipe médica do cliente para coletar todas as informações e buscamos orientações com o nosso médico do trabalho.

Nosso funcionário desembarcou e passou por uma equipe médica para executar o teste. Após sua liberação, para evitar qualquer possibilidade de infecção da família do funcionário, providenciamos um hotel até o resultado do exame sair. Depois de quase sete dias, o resultado deu negativo e nosso técnico foi liberado para ir com segurança para casa.

A vida dos técnicos offshore

Na nossa indústria, os trabalhadores offshore são os mais afetados durante a pandemia. Apesar de ter implementado novos cursos técnicos e de segurança a serem realizados online para os técnicos quando não estão em serviço e o fato que já havia mecanismos para envio de relatório e prestação de contas sem a necessidade de presença no escritório, não há a opção de home office para os técnicos de serviço offshore.

As consequências das mudanças no regime dos trabalhadores offshore resultam em condições menos favoráveis, dado que a ampliação de suas jornadas impõe o aumento de dias em alto mar e em confinamento, sempre longe de suas famílias.

Existem muitas dificuldades e incertezas em relação à situação de Covid-19, porém notamos que toda cadeia da indústria está preocupada e comprometida em evitar a proliferação do vírus em seus colaboradores e unidades offshore. Teremos que trabalhar juntos para garantir a saúde dos trabalhadores embarcados e somente assim podemos manter o mercado offshore forte e resistente ao coronavírus.

Fonte: Autor:  Denis Morais e Engenheiro de formação, atua há quase vinte anos em empresas de serviços técnicos em automação e eletrônica nas áreas offshore e naval.

 


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