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Postado em 21 de abril de 2020 | 18:59

Os portos privados não param

A pandemia da covid-19 deixou o Brasil e o mundo diante de uma encruzilhada histórica. O caminho a ser seguido é pavimentado de incertezas e apreensões. Linhas de pensamento seguem diferentes vertentes, uns defendendo o isolamento social e outros a volta integral das atividades econômicas. O fato concreto é que a crise deixou em alerta toda sociedade global e já apresenta severos impactos humanos, sociais e econômicos.

Neste caso sem precedentes, a população mundial é orientada a ficar em casa para deter a proliferação do vírus. Com o isolamento social, a economia balança já que apenas profissionais de setores essenciais podem produzir, trabalhar e contribuir em um momento tão delicado.

Neste cenário atípico e incerto, alguns segmentos não podem parar. É o caso do setor portuário privado brasileiro. Em acertada e coerente medida, o Governo Federal determinou a inclusão dos os portos entre as atividades consideradas essenciais.

Enquanto grande maioria da população está em casa por orientações dos quadros de saúde, os portos privados não param e seguem operando normalmente. E não poderia ser diferente. A importância da contribuição social e econômica do setor para sociedade fica ainda mais clara durante o enfrentamento à crise da covid-19.

A logística de transporte do país é estratégica e fundamental para garantir o abastecimento de insumos essenciais durante a pandemia do novo Coronavírus. É pelos TUPs (Terminais de Uso Privado) que passam, diariamente, os produtos que são utilizados nas casas, indústrias e, principalmente agora, nos hospitais espalhados pelo país. Esse esforço concentrado dos profissionais portuários merece destaque, pois visa garantir que não falte nada para as famílias enfrentarem dias tão desafiadores.

Além disso, o empenho dos terminais privados se estende para as mais diversas áreas, como minério, siderurgia, agronegócio, granel líquido e movimentação de contêineres. Sem esquecer da exportação de commodities que, embora não integre a lista de produtos essenciais, é uma contribuição fundamental dos portos à balança comercial brasileira e pode garantir o superávit brasileiro no comércio exterior.

Os números ratificam a relevância do segmento para a economia. Os terminais privados comandaram a movimentação portuária brasileira em 2019, sendo responsáveis por 66% da movimentação total de cargas do ano passado e registram crescimento médio anual de 3,4% nos últimos nove anos. Ao longo do último ano, mais 20 novos terminais privados foram autorizados a operar, o que representa uma carteira de investimento de R$ 1,5 bilhão. E a tendência é ir além, passada a crise de saúde que se instalou no país.

É importante esclarecer que o normal e pleno funcionamento dos portos durante a pandemia não significa a inexistência de mudança na rotina de operação dos terminais públicos e privados brasileiros. As empresas privadas e profissionais portuários têm seguido rigorosamente os protocolos recomendados por órgãos como Anvisa e OMS e adotado medidas preventivas para garantir a saúde e a segurança dos colaboradores enquanto desempenham suas funções, além de contribuir significativamente para reduzir a contaminação e para o combate à proliferação do vírus.

Enquanto grande parte dos trabalhadores brasileiros está parada e isolada, os profissionais portuários dão mais uma demonstração de profissionalismo e da importância desse segmento para a economia e logística, além é claro para sociedade durante um período tão impactante e marcante na vida de toda a população brasileira.

*Murillo Barbosa, presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP)

Fonte: O Estado de S. Paulo


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