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Postado em 9 de março de 2020 | 18:26

O transporte rodoviário de cargas em ano de safra recorde de grãos

Há muito tempo somos protagonistas de uma produção única e uma colheita singular, o que garante ao Brasil uma safra recorde no plantio de grãos ainda este ano. É o que aponta o relatório da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), ao mostrar um volume considerável na ordem de 251,1 milhões de toneladas. Um aumento de 9,1 milhões quando comparado aos últimos dois anos.

A safra de soja deverá ter uma área 2,6% maior que na última temporada, continuando a tendência de crescimento das últimas colheitas. A produção é estimada em 123,2 milhões de toneladas, um recorde na série histórica, graças às condições climáticas dessa safra.

O começo foi instável, pelo atraso das chuvas em diversos estados produtores, o que provocou semeadura irregular e impactou negativamente a colheita em várias regiões. Segundo levantamento da AgRural, a região do Mato Grosso sofreu falta de chuva no período de plantio e iniciou a semeadura somente após o mês de outubro. Em janeiro de 2020, o Estado colheu apenas 5% de uma área de 9,7 milhões de hectares, enquanto no ano passado os trabalhos na região estavam em 10% no mesmo período.

Em Goiás, em início de coleta, muitas lavouras tardias foram beneficiadas pelo bom regime de chuvas. Na Região Nordeste, particularmente no Matopiba, as condições climáticas não foram boas no início da safra, o que obrigou o replantio em algumas regiões. Esse bioma que compreende os estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia responde por grande parte da produção brasileira de grãos e fibras.

Já a primeira safra da colheita do milho foi influenciada pelas boas cotações do cereal. A área apresentou crescimento de 3,4% na região semeada, num total de 4,25 milhões de hectares. A produção está estimada em 26,1 milhões de toneladas, 1,6% superior a 2018/19. Com relação à segunda safra, a semeadura iniciada em janeiro acontece de acordo com o avanço da colheita da soja. Há expectativa de incremento expressivo no território, tendo em vista sua rentabilidade atual e às condições climáticas favoráveis.

É importante ressaltar que a safra recorde de grãos aponta para um contexto favorável em relação à infraestrutura do país, o que pode inclusive beneficiar o fluxo da logística de cargas. Em 2019, o Ministério da Infraestrutura contemplou todos os modais de transporte e a carteira de projetos segue em execução para 2020, com destaque para as rodovias e portos. A pavimentação da BR-163, que liga os estados de Mato Grosso e Pará, foi uma das que recebeu reforma e está completamente asfaltada entre Sinop/MT e Miritituba/PA. Isso favorece o transporte de grãos e poderá garantir uma exportação mais competitiva para o país, com custos rodoviários mais baixos.

Depois de anos de suplício ao passar pelo trecho de atoleiros que encareciam o frete, o transporte de grãos em Mato Grosso está cerca de 26% mais barato, após a conclusão total da pavimentação da BR-163 que liga o Norte do Estado ao porto de Miritituba, no Pará. Além disso, melhorias na eficiência ferroviária tem mantido o custo de logística mais baixo. A informação é da Associação dos Produtores de Soja e Milho estadual (Aprosoja-MT), por meio do Movimento Pró-Logística.

O setor portuário também foi atendido no primeiro ano do governo, com a concessão de 13 terminais à iniciativa privada. Está incluído aí o de Paranaguá, maior porto exportador agrícola do Brasil, que se destaca na exportação de grão e farelo de soja.

Esse conjunto de fatores reflete em cenário positivo para toda a cadeia logística, e pode ocasionar uma mudança nos valores de frete. O fluxo melhor em algumas regiões, com maior capacidade dos portos para exportação, pode trazer custos mais baixos e maior procura por oferta de cargas. Isso tudo abre portas para que os caminhoneiros em todo o Brasil tenham mais agilidade e eficiência na gestão de seu fluxo de trabalho. Sendo assim, todos ganham e o Brasil desponta para um futuro ainda mais promissor.

Charlie Conner é co-CEO da Sotran Logística e Denis Poleti é diretor comercial da companhia, que está reinventando a logística no Brasil ao abrir o caminho digital para um futuro melhor dos caminhoneiros com a plataforma TMOV. O app conecta 180 mil motoristas com cargas, em tempo real, com mais de 750 donos de cargas. São mais de 500 mil matches de carregamentos por ano.

Fonte: Folha MT


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