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Postado em 10 de julho de 2019 | 17:48

Frederico Bussinger: Ponte ou túnel? Processo decisório para virar um case

Ligação seca (entre cidades, margens, rodovias: escolha!) volta ao noticiário (13/JUN/18): anuncia-se para DEZ/18 o início de obras da ponte (agora na diretriz Ilha Barnabé) e tráfego em 2020. A seguir, o gestor da obra (Ecovias); e autorizado, pelo governo estadual, estudos e projetos. Ué! A sequência dos eventos, pelos manuais, não deveria ser inversa?

Na sequência, e em paralelo, a imprensa foi divulgando: I) modelo (incorporação à concessão do SAI, com dilatação do prazo contratual), II) previsão de investimentos (da ordem de R$ 3 bilhões), III) informações (controversas) sobre pedagiamento, e IV) negociações (3/SET) entre Ecovias e Codesp (para compatibilizar ponte e sistema viário do Porto). Ué! Modelo e investimentos não deveriam emergir dos estudos? Coordenação de planos não deveria ser entre os três níveis de governo?

No fim de FEV/19 Ecovias apresentou projeto ao CAP. Murmúrios quanto ao calado aéreo (85m) e interferências com o terminal da BTP e Ilha Barnabé; assumindo-se, implicitamente, a inexorabilidade do projeto e da diretriz. No geral, “encima-murismo”!

A partir de abril Codesp começa a arguí-lo e a defender a retomada da alternativa-túnel. No dia do meio ambiente (5/JUN) AT noticia, com fotos e destaques, acordo entre a União e o Estado para “reavaliar o projeto da ponte” e constituição de um GT para tanto.

Em duas semanas (GT se reuniu?) é publicado o Edital (19/JUN) para a Audiência Pública (próximo 16/JUL). Com isso toma-se conhecimento de protocolo de EIA/RIMA em 14/MAR; e do novo padrão (célere!) de licenciamento em SP!

Não é difícil entender-se as razões da Ecovias, que agregaria à concessão um ativo da ordem de R$ 3 bilhões e generoso prazo para explorá-los. Tampouco as motivações do governo anterior e do atual; ainda que com nuances. Da mesma forma as da BTP e as da Codesp; esta obliterada em algumas de suas (nobres) funções de autoridade portuária. E, mesmo, da população; cansada por tantas promessas não cumpridas, e muitos ainda pensando tratar-se de “almoço grátis”!

Difícil é entender-se omissões e o porquê, até agora, não houve uma discussão, séria, sobre o benefício-custo dessa ponte, destinações alternativas de recursos e, principalmente, sobre a diretriz/localização da nova travessia seca.

Pululam na mídia notícias de acidentes (tipo ciclovia RJ e Brumadinho); concessões em devolução (Maracanã, aeroportos e linhas de transmissão); e obras paralisadas após investimentos bilionários (tipo Rodoanel, hidrovia do Recife, Pq. Olímpico, e VLT de Cuiabá).

Taxamos de acidentes ou imprevistos. Culpamos a sorte. Cogitamos de conspiração. Logo esquecemos. Mas é raro assumirmos falhas no planejar, gerir e/ou no processo decisório. Queremos, mesmo, mudar de patamar?

Fonte: A Tribuna


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