-->
Home | Opinião | Alta do dólar é a ficha caindo de que a situação fiscal é bem delicada, por Alexandre Schwartsman
Postado em 15 de novembro de 2017 | 17:57

Alta do dólar é a ficha caindo de que a situação fiscal é bem delicada, por Alexandre Schwartsman

Nos últimos 12 meses, o país acumulou um saldo comercial recorde, US$ 68 bilhões. O aumento do resultado comercial tem sido o principal fator (embora não o único) para a redução do deficit nas transações com o resto do mundo —que incluem, além da balança comercial, o resultado de serviços, bem como o pagamento de juros e dividendos, entre outros— de US$ 104 bilhões em 2014 para pouco menos de US$ 13 bilhões nos 12 meses terminados em setembro deste ano.

É bem verdade que tanto em 2015 quanto em 2016 esse fenômeno resultou da forte queda das importações efeito colateral da maior recessão da história recente do país.

No entanto, o desempenho a partir de fim do ano passado apresenta natureza distinta: as exportações voltaram a crescer, de algo como US$ 186 bilhões nos 12 meses terminados em junho de 2016 para quase US$ 216 bilhões nos 12 meses até outubro de 2017.

Da mesma forma, importações também ganharam fôlego, embora menor: saíram de um mínimo de US$ 136 bilhões em novembro do ano passado para US$ 148 bilhões em outubro, isso, lembremos, em contexto de melhora, ainda que discreta, da atividade doméstica.

A combinação de um balanço de pagamentos em melhor forma (mesmo com a atividade em alta) e inflação em queda sugere que a taxa de câmbio está bem alinhada a seus fundamentos, apesar das reclamações persistentes daqueles para quem o preço do dólar está sempre 30% abaixo de seu “valor justo” (perdão, a expressão agora é “taxa de câmbio de equilíbrio industrial”, embora o significado prático seja exatamente o mesmo, isto é, nada).

Posto de outra forma, considerada a atual constelação de preços de commodities, crescimento do comércio global e condições de liquidez internacional, a sempre tão criticada taxa de câmbio não é um obstáculo à recuperação, muito pelo contrário.

De fato, no caso da indústria automobilística, por exemplo, o aumento das exportações líquidas tem sido o principal fator de impulso à produção doméstica. Já no que se refere à indústria como um todo, há também indicações de que maiores exportações de manufaturas têm desempenhado papel relevante na recuperação do setor, 4% de alta desde outubro de 2016.

A desvalorização recente da moeda nacional, ainda modesta, reflete mais a percepção (correta, a propósito) de que, depois de um bom início, o ímpeto reformista do governo Temer vem perdendo momento.

Talvez não por acaso, o dólar começa a se aproximar do valor registrado no momento de eclosão do escândalo da JBS, quando, ao que parece, houve o entendimento de que reformas do porte da previdenciária estavam fora do alcance da atual administração.

Aos poucos vai caindo a ficha de que a situação fiscal é muito mais delicada do que se supõe. A falsa sensação de calma só torna ainda mais remota a tomada de ações corretivas e é o que mais me deixa preocupado com nosso futuro imediato.

Fonte: Folha de S. Paulo

One comment

  1. The EU’s greatest clearing house for euro-denominated securities, LCH in London, shall be outside the bloc’s
    legal system as soon as Britain leaves the EU
    in 2019.

Deixe um comentário:

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*


137 queries in 2,621 seconds