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Postado em 6 de abril de 2021 | 17:08

Siemens Energy está mais perto de anunciar seu primeiro projeto de hidrogênio no Brasil

Quando o assunto é o potencial de produção de hidrogênio verde, há quase uma unanimidade: o Brasil desponta ao estilo Ayrton Senna em dia de pista molhada. É pole position e bandeira quadriculada na certa. O Petronotícias abre o noticiário desta semana apresentando os planos e previsões de uma das companhias que quer liderar a produção desse combustível no país: a Siemens Energy.

Vamos entrevistar o General Manager da empresa no Brasil, André Clark. O executivo lembra que nossa matriz energética conta com, aproximadamente, 80% de geração de energia renovável, o que garante as condições para a produção de hidrogênio verde. “Justamente por esse motivo que escolhemos o Brasil para ser o hub de hidrogênio da Siemens Energy na América Latina”, frisou Clark. Quando questionado sobre quando a empresa poderia apresentar seu primeiro projeto envolvendo o combustível no país, o diretor trouxe projeções otimistas: “Muito em breve. O Brasil possui todas as condições naturais para isso acontecer e o setor empresarial brasileiro está engajado em promover parcerias nesse sentido”, afirmou. Contudo, ele pede um bom cenário político e econômico para que a Siemens Energy possa seguir com seus planos. “Temos que impulsionar um mercado nacional voltado a essa solução, seja por meio da criação de um marco regulatório como também através de investimento em projetos de hidrogênio que atendam às demandas locais”, ponderou.

A Siemens Energy já tem algumas iniciativas pelo mundo envolvendo hidrogênio verde (parcerias com a Porsche e a China Power, por exemplo). E para o Brasil? Quais são os planos sobre hidrogênio para nosso país?

Aqui no Brasil estamos buscando sócios e empresas industriais que queiram ser pioneiras na utilização desse ativo. Além disso, estamos desenvolvendo parcerias com empresas da iniciativa pública e privada que estão em busca de soluções de hidrogênio verde para ajudar a descarbonizar a sua cadeia produtiva e também colaboramos com grupos de estudo para iniciativas de inovação nessa área.

Quando poderemos ter a primeira iniciativa de produção de hidrogênio da Siemens Energy no Brasil?

Muito em breve. O Brasil possui todas as condições naturais para isso acontecer e o setor empresarial brasileiro está engajado em promover parcerias nesse sentido. É notório também o interesse das empresas no mundo todo em busca de fontes limpas de energia, nas quais o Brasil é campeã e um grande player mundial, que pode ganhar cada vez mais protagonismo global nessa revolução energética, já que grande parte de nossa matriz energética é baseada em fontes renováveis e esse potencial pode ser aproveitado nos processos de eletrólise do hidrogênio.

A atual matriz energética brasileira conta com, aproximadamente, 80% de geração de energia renovável, e alinhada ao grande potencial de crescimento em fontes como eólica e solar, fornecem a base ideal para a produção de hidrogênio verde. Justamente por esse motivo que escolhemos o Brasil para ser o hub de hidrogênio da Siemens Energy na América Latina.

Contudo, dependemos também de um bom cenário político e econômico. Acreditamos que o hidrogênio verde pode ser uma das alternativas para a retomada da economia e garantia de cumprimento das Metas do Acordo de Paris.

Na visão da companhia, o hidrogênio será capaz de substituir a demanda por fontes fósseis no futuro? Quando isso poderia acontecer?

Em um curto e médio prazo, o hidrogênio será mais um aliado na diversificação para uma matriz energética cada vez mais limpa e renovável. A principal função será dar segurança energética como parte da transição para uma geração de energia livre de emissões de carbono.

Como a Siemens Energy quer se posicionar na substituição da frota de veículos movidos por combustíveis fósseis? Qual será o papel da empresa nessa transição?

A eletrificação em massa das frotas como um dos meios para descarbonização da economia é um caminho sem volta. Governos do mundo todo estão impondo metas agressivas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos veículos, já que esse setor é responsável por cerca de um terço das emissões.

Nesse sentido, é possível empregar o hidrogênio diretamente como combustível ou também sintetizar outros combustíveis a partir dele, tais como metano e metanol. Nosso objetivo estratégico é de ser o parceiro de escolha no fornecimento de tecnologias para a cadeia do hidrogênio verde como combustível na propulsão elétrica.

O Brasil dispõe de duas usinas nucleares e ainda está construindo uma terceira. A fonte nuclear seria uma alternativa para a Siemens Energy na produção de hidrogênio no país?

Na verdade, quando falamos de hidrogênio verde, a principal e mais vantajosa alternativa para a sua produção dentro da realidade brasileira é por meio de energias renováveis. A viabilidade econômica do hidrogênio verde é a alavanca dessa solução a nível global e um ponto positivo é que esse fator está fortemente aliado ao preço das energias renováveis. Dessa forma, estrategicamente, estamos em uma posição extremamente favorável, que pode inserir o Brasil como um dos maiores produtores de hidrogênio verde com menor custo marginal do planeta.

Gostaria de ouvir seus comentários a respeito das fontes disponíveis no Brasil (eólica e solar) para produção de hidrogênio. Quais são as oportunidades mapeadas pela Siemens Energy?

Como disse, as fontes renováveis são as principais cartas que o Brasil tem na manga para a produção de hidrogênio verde. Especificamente para eólicas e solar, a produção de H2 verde pode representar uma opção de armazenamento das fontes intermitentes e também promover o acoplamento de setores.

Esse modelo de geração associada vai se tornar cada vez mais uma tendência por combinar diversas tecnologias, aproveitando ao máximo o potencial energético.

Na visão da Siemens Energy, o Brasil tem potencial para se tornar um grande exportador mundial de hidrogênio verde?

Não só o Brasil, mas toda a América Latina pode se posicionar como um grande hub exportador de energia limpa na forma de hidrogênio e isso já entrou na pauta das principais empresas globais. A tecnologia tem sido considerada uma via eficiente para ajudar a descarbonizar principalmente o setor de transporte, responsável por um terço das emissões de gases efeito estufa (GEE) no mundo.

No médio prazo, o mundo vai demandar cada vez mais esse energético para cumprir regras ambientais cada vez mais rígidas. A Europa impôs metas agressivas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, enquanto os Estados Unidos devem alocar 1,7 trilhão de dólares no plano Green Deal. Além disso, países emergentes, como China e Índia, também divulgaram metas para descarbonizar suas economias. Tudo isso será obtido através de subsídios e investimentos em novas tecnologias que viabilizem isso e podem beneficiar o Brasil e toda a América Latina.

Na sua opinião, o que o Brasil deve fazer desde já para viabilizar a atração de investimentos de empresas como a Siemens Energy na produção de hidrogênio?

O Brasil já tem todos os insumos para o desenvolvimento de uma cadeia pujante da economia do hidrogênio. Contudo, temos que impulsionar um mercado nacional voltado a essa solução, seja por meio da criação de um marco regulatório como também através de investimento em projetos de hidrogênio que atendam às demandas locais. Somado a isso, precisamos destravar a pauta ambiental no congresso e definir metas claras de incentivo às energias renováveis para cumprir os objetivos do Acordo do Clima de Paris.

Fonte: Petro Notícias

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