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Postado em 24 de novembro de 2020 | 17:10

Raízen pode levar refinaria do Paraná da Petrobras e Ultra, a do Rio Grande do Sul

O desenho que está se formando na disputa pelas refinarias da Petrobras no Sul do País aponta para liderança da Raízen, controlada pela Cosan, na aquisição da unidade Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Esta é considerada umas das melhores refinarias que a Petrobras colocou à venda. Já a refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, a disputa pende para o Grupo Ultra, dona dos postos Ipiranga, que já tem operações na região. O fundo Mubadala, dos Emirados Àrabes Unidos, por sua vez, esteve de olho na Repar, mas é cotado para liderar a disputa na Bahia, onde a Petrobras colocou à venda sua refinaria Landulfo Alves. O ativo é considerado tão atrativo quando a Repar, no Paraná.

Sem mais. Esse desfecho é resultado do baixo interesse que outros interessados teriam mostrado até aqui. As propostas para levar as refinarias do sul têm de ser entregues à Petrobras no dia 10 de dezembro. Conforme apurou a Coluna, investidores chineses, incluindo a Sinopec, podem acabar ficando de fora da competição, já que estão mais interessados em ativos de infraestrutura de petróleo, como gasodutos, e em operações de gás. Indianos também teriam olhado os ativos.

Bilhões. As expectativas são de que as duas refinarias, do Paraná e Rio Grande do Sul, rendam à Petrobras cerca de US$ 5 bilhões. A Repar e a Refap são as primeiras refinarias na lista de oito das 13 que a Petrobras decidiu vender como parte de um plano de desinvestimentos anunciado no ano passado. Procuradas, as empresas e o fundo não comentaram.

Visão dos analistas. Gabriel Fonseca, analista da XP, defende que o processo é demorado, dada a sua complexidade, mas que há mercado para que todas as oito unidades sejam vendidas. “Há um déficit de capacidade de produção de derivados de petróleo no Brasil e, por isso, o interesse é grande nesse segmento”, diz.

Ao mesmo tempo, Fonseca enxerga uma oportunidade de garantir ao País expansão na capacidade de refino e, por consequência, a manutenção da oferta de derivados nas próximas décadas. Ele lembra que a Petrobras tem o monopólio nesse serviço e a venda de tais ativos deixará o setor mais fragmentado, favorecendo a livre concorrência.

Fonseca lembra ainda que, dada a qualidade das refinarias à venda, a Glencore, da Suíca, que comprou a Ale Combustíveis, e a Vitol, da Holanda, que adquiriu a Rodoil, já mostraram interesse pela Repar e Refap.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, diz ser esperado que a venda das duas refinarias do Sul do País renda cerca de US$ 5 bilhões à Petrobras. Ele defende que chineses e indianos entrem no processo. Apesar da proposta vinculante pelas duas refinarias estar sendo apresentada agora, a expectativa é que a venda ocorra de fato até o fim do primeiro semestre do ano que vem. Procurados, as empresas e o fundo não comentaram.

 

 

 

Fonte: Estadão


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