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Postado em 10 de junho de 2020 | 17:23

PPI definirá nesta quarta a modelagem econômica e empresarial para conclusão de Angra 3

A quarta-feira (10) será de muita expectativa para o setor nuclear brasileiro. Hoje, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) terá uma reunião para apreciar um relatório que trata do modelo de parceria para conclusão das obras de Angra 3. O Petronotícias acompanhará durante todo o dia a movimentação em Brasília a respeito deste encontro e, para abrir o nosso noticiário, convidamos o Chefe do Departamento de Desenvolvimento de Novos Empreendimentos da Eletronuclear, Marcelo Gomes, para abordar a importância dessa reunião.

marcelo gomes

Trata-se de uma decisão muito aguardada, que com certeza vai ajudar a viabilizar as condições e será uma sinalização importante para retomada das obras o quanto antes”, afirmou. Gomes ressaltou que o projeto de Angra 3 é tipo um empreendimento que atenderá às necessidades do país no período pós-pandemia, com a reativação da economia, o estímulo ao PIB e a geração de empregos. Usando dados de um estudo da FGV, o entrevistado lembra que a estimativa de criação de novos postos de trabalho chegaria a quase 500 mil em escala nacional. “Assim que a economia começar a se normalizar, o governo vai procurar projetos que gerem bastante impacto para religar a economia nacional. A conclusão de Angra 3 é um projeto muito adequado e vai ao encontro desta necessidade”, avaliou.

Um estudo já publicado há algum tempo pela FGV indicava que a obra de Angra 3 teria um efeito duplicador no PIB e empregos no Brasil. Essas projeções ainda são válidas?

Esse estudo foi feito pela FGV de São Paulo em conjunto com a FGV do Rio de Janeiro. Eles usaram uma metodologia chamada “Matriz Insumo-Produto”, em que verificaram cada setor da economia e como eles se impactam entre si. O interesse na época era avaliar o impacto da construção de uma usina nuclear genérica. Mas como não existia nenhum dado específico de uma usina genérica, era mais fácil utilizar os dados de Angra 3.

Então, a FGV começou a se debruçar sobre o assunto e chegaram aos efeitos multiplicadores. Ou seja, a cada R$ 1 colocado na construção são gerados R$ 1,02 no local; R$ 1,6 no estado; e R$ 2,27 no Brasil. Isso porque a construção tem efeitos diretos e induzidos. Por exemplo, quando um equipamento é encomendado em São Paulo, isto gera um aumento de renda naquela fábrica. O operário daquela unidade, por sua vez, gastará dinheiro e aí acontece o efeito multiplicador.

Esses números do estudo da FGV ainda continuam válidos porque a economia não mudou. A base do projeto, o tipo de material, os equipamentos… tudo continua igual. A estrutura da indústria brasileira não se alterou significativamente. Os números continuam atuais.

É interessante notar no estudo que os efeitos positivos de Angra 3 em escala nacional são maiores até dos que os em escala local. Ou seja, retomar teria um efeito benéfico para a retomada econômica brasileira no pós-pandemia?

Economia local. Angra 3 mexerá com a economia do país como um todo. Serão diferentes encomendas de equipamentos em indústrias instaladas em diferentes pontos do país. O efeito nacional é muito mais expressivo do que no nível regional ou local.

Assim que a economia começar a se normalizar, naturalmente, o governo vai procurar projetos que gerem bastante impacto para religar a economia nacional. A conclusão de Angra 3 é um projeto muito adequado e vai ao encontro desta necessidade. Porque é um projeto relativamente rápido e gera emprego de forma rápida. Seus efeitos tendem a se reproduzir rapidamente.

Um grande projeto que ainda esteja na prancheta terá que passar por estudos de viabilidade e eventualmente um leilão. Não é o caso de Angra 3, que já está no pipeline. É claro que ainda precisa dar alguns passos, mas de uma forma geral, é um projeto que você consegue rapidamente medir os benefícios no agregado nacional: geração de emprego e renda e estímulo ao PIB.

O governo tem essa grande missão de religar a economia brasileira e deve procurar projetos que tenham esta característica, com potencial de geração de emprego e renda.

A geração de empregos será um fator-chave para superar a crise econômica deixada pela Covid-19. Existe uma previsão atualizada de quantos empregos serão gerados na retomada de Angra 3? E quando começariam as contratações?

Pelo estudo da FGV, poderíamos ter números bastante expressivos no Brasil. Estamos falando de um número final de quase 500 mil postos no agregado nacional, diretamente e indiretamente. Então, é um projeto que tem muito esse viés de geração de empregos.

Imediatamente na região da usina, você conseguiria colocar em atividade um contingente bastante expressivo no canteiro, algo em torno de 3 mil pessoas. Os municípios ao redor da usina, Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro, estão muito ansiosos, porque traria um desafogo social grande na região. É um projeto que tem um potencial rápido de geração de empregos.

Como eu disse, é claro que a partir da definição do modelo, ainda existirão alguns passos que precisão ser cumpridos. Mas a Eletronuclear já vem trabalhando em uma linha de tentar viabilizar isso de uma forma mais rápida. Esperamos que em breve possamos ter sinais de movimentação no canteiro de obras.

O senhor se refere ao plano de aceleração de linha crítica?

Sim. Chegamos a um ponto em que estávamos dependendo muito de coisas que não estavam no controle da empresa. Então, a Eletronuclear e a Eletrobrás decidiram fazer o que está em nossas mãos para que esse projeto ande e não atrase. E foi daí que surgiu esse plano de aceleração de linha crítica. E temos a expectativa de começar alguma atividade [no canteiro] em breve, com início de mobilização até o final deste ano.

Falando dos efeitos da obra para o Rio de Janeiro, a retomada das obras de Angra 3 traria que tipo de benefícios para a indústria, infraestrutura e fornecimento de energia no estado?

O Rio tem uma característica muito especial por ser a sede do setor de energia no Brasil. A Petrobrás, a Eletrobrás e outras grandes empresas de energia têm suas sedes no Rio.

A Eletronuclear, com as usinas de Angra 1 e Angra 2, já supre um percentual significativo da energia que é usada no Rio de Janeiro. E essa geração firme traz uma série de benefícios que o próprio ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico] reconhece. Ele já fez um documento comentando sobre isso. A energia nuclear traz uma segurança energética e uma estabilidade para o sistema elétrico aqui no Rio que são muito importantes.

Já aconteceram inúmeras perturbações e as usinas de Angra seguraram para evitar um desligamento. A grosso modo, a energia da região Sudeste tem o linhão de Itaipu, que passa por São Paulo, Rio e Espírito Santo. Então, muitas vezes já aconteceram distúrbios nesse subsistema Sul-Sudeste. E a presença das usinas nucleares trouxe a estabilidade necessária para garantir o suprimento. Tanto é que quando você tem algum evento importante no Rio de Janeiro, como aprova do Enem, eleições ou em eventos esportivos, o operador nos pede que não se faça nenhuma manutenção nas usinas, justamente para garantir a segurança ao atendimento da região.

O Rio de Janeiro também é a sede a indústria nuclear no Brasil. A Eletronuclear e a Comissão Nacional de Energia Nuclear também estão no Rio. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) fica em Resende (RJ). Você tem o único curso de graduação que forma engenheiros nucleares no Brasil é na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Então, o setor nuclear está bem reunido no Rio de Janeiro. E aí, a presença das usinas no estado do Rio mobiliza toda essa indústria.

Críticos do Projeto de Angra 3 afirmam que a entrada da usina poderia deixar a conta de energia mais cara. Como rebate essas afirmações?

Isto é um engano. Temos um estudo que mostra que a energia de Angra 3, em determinados anos, vai evitar que algumas usinas térmicas sejam despachadas. Essas usinas térmicas são caríssimas, algumas delas usam até óleo diesel, e custam até R$ 700/MWh. Isso aparece para o consumidor quando surgem as bandeiras tarifárias. A geração nuclear como geração de base entra justamente deslocando essas térmicas, que têm um custo muito alto. A usina nuclear, por sua característica de gerar muita energia, o tempo todo e firme, reduz o custo total do sistema elétrico porque evita o despacho das usinas mais caras.

Já existe uma perspectiva de quando as discussões sobre o modelo de parceria de Angra 3 voltarão a avançar no Conselho do PPI?

A discussão do modelo envolvendo um parceiro para Angra 3 está na esfera do PPI. Fizemos um contrato com o BNDES para fazer este estudo da modelagem, a pedido do governo. Preparamos esse relatório e estávamos com tudo pronto. Só que, em março, estourou a questão da Covid-19. E isto capturou todo mundo no governo. Ou seja, todos se mobilizaram para as atividades envolvendo a pandemia. Então, as reuniões necessárias para prosseguir com o assunto não aconteceram.

Mas temos agendada para hoje a reunião do PPI que vai apreciar o relatório do BNDES e definirá o modelo usado na conclusão de Angra 3. Não podemos adiantar ainda maiores detalhes, mas trata-se da definição da modelagem econômica e empresarial para conclusão de Angra 3. Trata-se de uma decisão muito aguardada, que com certeza vai ajudar a viabilizar as condições e será uma sinalização importante para retomada das obras o quanto antes. 

Essa obra de Angra 3 é importante para reativação da economia do Brasil. É um momento em que vamos precisar que todos os esforços sejam direcionados para reativar a economia. E estamos convencidos que Angra 3 é um excelente vetor de desenvolvimento.

 

 

Fonte: Petro Notícias


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