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Postado em 15 de março de 2016 | 16:56

Opep projeta reequilíbrio do mercado e fim da crise de preços do petróleo

Apesar de ainda haver uma maior oferta de petróleo do que a demanda diária, o preço do barril, especialmente o da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), se recuperou em fevereiro diante da perspectiva de um breve reequilíbrio no mercado e, como estimou nesta segunda-feira a entidade, do fim da sequência de queda das cotações.

“Após três meses de fortes baixas, os contratos futuros do petróleo se recuperaram no meio de fatores positivos que motivaram especulações sobre um possível equilíbrio em breve no mercado”, analisou a Opep em seu relatório de março, publicado hoje em Viena.

“Isso sugere que os 20 meses de preço baixo poderiam estar chegando ao fim”, destacou o documento, que lembra que o barril da Opep se valorizou 8,4% em fevereiro, a primeira alta em três meses.

Os técnicos da organização citam entre esses fatores o compromisso firmado entre vários grandes produtores, os próprios países-membros da Opep e da Rússia, para reduzir os níveis de extração para os registrados em janeiro.

O relatório indica que o nível de produção conjunta dos 13 integrantes da Opep já mostrou essa queda. Houve uma redução de 175 mil barris diários em fevereiro. Apesar do corte, a produção do grupo segue 2,28 milhões de barris diários (mbd) acima do teto máximo oficial de 30 mdb.

Uma diferença que representa, na prática, quase a totalidade do excesso de oferta que, segundo reconhece a própria Opep, provocou o desabamento das cotações no mercado. A crise teve como efeito a redução dos investimentos em novos projetos de exploração, algo que provocará uma redução da produção em muitos países em 2016.

“A expectativa de um reduzido fluxo de efetivo em 2016 fez com que muitas companhias reduzissem seus investimentos, adiando grandes novos projetos até haver uma recuperação sustentável do preço”, indicou o relatório divulgado hoje.

Dessa forma, a Opep espera que em 2016 seus concorrentes forneçam 56,39 milhões de barris diários, 1,2% a menos do que no ano passado.

A queda da produção é especialmente alta nos Estados Unidos, que representa mais da metade de toda a redução da exploração dos países que não fazem parte da organização.

O relatório reconhece que o otimismo sobre um reequilíbrio do mercado após a fase de preços baixos tem relação com a diminuição do número de poços e os atrasos na exploração de petróleo de xisto nos EUA, algo que “ajudará o mercado a se equilibrar gradualmente”.

No entanto, o documento admite que há incerteza sobre essas projeções, como uma diminuição dos custos de produção em alguns poços dos EUA e, inclusive, a decisão de alguns produtores de optar por extrair o produto mesmo com perdas.

Sobre sua própria produção em 2016, a Opep prevê um crescimento de 6% em relação ao ano passado. E projeta que a demanda por seu petróleo será de 31,5 milhões de barris diários.

Levando em consideração os dados da demanda mundial, que subirá para 94,23 milhões de barris diários neste ano, o petróleo da Opep corresponderá a 33,4% do total usado, contra 31,9% de 2015.

O aumento do consumo mundial (1,34% a mais do que em 2015) será provocado especialmente pelas economias em crescimento da Ásia. A China demandará 2,72% mais barris do que no ano passado, enquanto a Índia deverá elevar sua demanda pelo produto em 4,46%.

Por um lado, as esperadas melhoras na economia mundial e uma maior demanda provocada pelo baixo preço permitem prever um aumento do consumo. Por outro, os problemas de déficit fiscal e o aumento dos impostos sobre o produto indicam uma tendência contrária.

Fonte: EFE


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