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Postado em 14 de setembro de 2020 | 17:10

Opep completa 60 anos, mas festa é adiada pela queda nos preços do petróleo

Em vez disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (chamado de Opep+) vão se reunir pela internet para entender de que forma o coronavírus frustrou seus melhores esforços para manter o preço da commodity em alta.

Depois de conseguir elevar os preços do petróleo com cortes na produção, o grupo se depara com os efeitos nocivos da pandemia: os preços do barril estagnaram e a demanda de combustível está em queda.

A cotação do Brent, referência internacional, caiu para menos de US$ 40 o barril na semana passada, pela primeira vez desde junho.

Na próxima quinta-feira, a Arábia Saudita e a Rússia, os principais membros da aliança, farão reunião para avaliar se os cortes de produção, que começaram a ser reduzidos em agosto, ainda terão impacto no preço.

No mês passado o corte de produção dos países membros foi reduzido de 9,7 milhões de barris por dia para 7,7 milhões diários.

– Havia algumas previsões importantes sobre onde a demanda e a recuperação estariam agora, e isso simplesmente não aconteceu. Se eu fosse a Opep ou a Arábia Saudita, ficaria preocupado – disse Mohammad Darwazah, analista da empresa de pesquisa Medley Global Advisors LLC.

O preço é ponto central para os membros da Opep, como países mais pobres do cartel, como Nigéria e Venezuela. Essas nações precisam de preços do petróleo muito acima dos níveis atuais para cobrir os gastos do governo, lista que inclui até o Kuwait.

Apesar da temporada de férias já ter chegado ao fim dos EUA, os estoques de petróleo ainda estão altos. Na Índia, o terceiro maior consumidor do mundo, as vendas de combustível para transporte permaneceram 20% abaixo dos níveis do ano passado. Na China, as refinarias ainda não retomaram as compras de petróleo.

Em guerra civil, a Líbia está isenta hoje dos cortes de produção, mas pretende retomar as exportações de petróleo em breve, de acordo com autoridades americanas. A produção do país do Norte da África caiu para menos de 100 mil barris por dia. Era 1,1 milhão de barris diários no final do ano passado.

Mas a desaceleração ainda não é severa o suficiente para que a OPEP+ imponha novos cortes na produção de seus membros como o feito no segundo trimestre, avalia Helima Croft, chefe de estratégia de commodities da RBC Capital Markets.

– Para os homens que residem nos palácios e nos corredores presidenciais, há um preço a partir do qual eles fazem uma ligação. A questão é: qual é o preço? – disse Croft.

Em teoria, a tarefa da Opep+ deve ficar mais fácil no próximo trimestre com o aumento da demanda por combustíveis no inverno. Além disso, há a expectativa de que a economia global se recupere gradualmente, mostram dados da Agência Internacional de Energia em Paris.

Mas, sem um sinal claro, os sauditas podem tomar sua decisão. – Esperamos uma declaração forte de que, se os mercados continuarem a enfraquecer, o grupo de produtores estará preparado para cortar ainda mais a produção – disse Ed Morse, chefe de pesquisa de commodities do Citigroup.

Os membros da Opep vem violando as metas de corte de produção. Iraque e Nigéria implementaram até agora apenas uma fração dos cortes. Agora, a Árabia Saudita enfrenta novo desafio: os Emirados Árabes Unidos admitiu que violou seus limites em cerca de 20%, ao mesmo tempo que prometeu corrigir o erro.

Dados de exportação de consultores como a Petro-Logistics SA e Kpler SAS indicam que o número pode ser muito maior.

Mas os sauditas provavelmente tentarão resolver discretamente todo esse imbróglio.

– O verdadeiro desafio é se a Opepo é ágil o suficiente? Quão rápido eles podem reagir? – questionou Helima Croft, RBC Capital Markets.

 

 

Fonte: O Globo


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