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Postado em 21 de novembro de 2023 | 16:07

Mercado reage forte e vê chantagem das siderúrgicas que demitem e suspendem produção de aço para impedir importação

O mercado do aço no Brasil está dando que falar.  Compreende-lo nos detalhes, não é para qualquer arco e flecha. Há muitos interesses em confronto e cada um deles mostra seus argumentos.  A pressão em cima do governo que está sendo feita pela AcelorMittal, que é a maior fabricante de aço do mundo. Mas esta pressão já  provocou uma reação no mercado nada positiva.

As empresas que compram o aço enxergam uma espécie de chantagem das siderúrgicas.  O Presidente da Arcellor, Jéferson de Paula acredita que o momento é crítico e que há um risco real de muitas demissões. A Maior produtora de aço no Brasil, simplesmente vai parar de produzir e dar  férias coletivas a cerca de 400 funcionários da usina de Resende (RJ),  suspendendo temporariamente as operações em diferentes unidades, com a execução de paradas técnicas, em meio ao aumento acelerado das importações de produtos siderúrgicos.

A Gerdau já demitiu 700 trabalhadores e reduziu a produção em diferentes unidades. De Paula indicou  que a  situação na indústria do aço afetaria o crescimento econômico do país. Ele acredita que    o  Brasil ficou completamente desprotegido quando as importações de aço, sobretudo da China, Rússia e Turquia, chegam mais barato por aqui. A Arcelor defende que o governo deve elevar as alíquotas de importação para 50%. Os Estados Unidos, Europa e México  impuseram tarifa de 25% sobre as importações de aço para conter o avanço sobre a demanda interna. No México, a fatia chegou a 40%. No Brasil, a participação dos importados no consumo aparente, que era de 12%, saltou a 23% e chegou a 30% nos últimos meses

E aí é que mora o perigo. Há um outro lado nessa estória. São as empresas consumidoras que dependem do aço para sobreviver.  Quase 15 grandes associações empresariais de diversos setores que dependem fundamentalmente do aço, estão comprando aço no exterior porque os preços impostos pelas grandes siderúrgicas no Brasil ficaram muito altos.

Mesmo durante a pandemia, as siderúrgicas chegam a desligar alguns altos fornos pelo recuo da demanda, mas salgaram e muito os preços pelo aço. Na época, o ex-Ministro Paulo Guedes acreditava que o mercado iria se ajustar. E se ajustou, mas com os preços lá em cima, abrindo a possibilidades de se importar mais barato. Foram formados até consórcios de empresas para trazer o aço da Turquia por preços mais justos.

Com o fim da pandemia, as coisas foram voltando para o lugar em alguns setores. E agora reacende uma queda de braços entre siderúrgicas e o mercado. O governo já está careca de saber desta realidade. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin já está a par do assunto, assim como o ministro da fazenda, Fernando Haddad. Eles já receberam os sinais das siderúrgicas e como não aconteceu, a pressão agora vem pela ameaça de muitas demissões e fechamentos de unidades de fabricação.

O próximo passo poderá ser o desligamento dos  altos fornos. As associações de empresas consumidoras de aço acreditam que  com o aumento da alíquota de importação,  as siderúrgicas ficarão com a faca e o queijo nas mãos. Reunidas eles já elaboraram uma nota, que foi entregue ao Ministro Alckmin. O Petronotícias teve acesso à esta nota e reproduz na íntegra,  com a lista das associações de empresas, todas muito significativas, que assinaram o documento:

“ Cumprimentando o Senhor Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, as Entidades aqui representadas desta Coalizão, manifestam sua preocupação com as recentes notícias sobre a pretensão por parte do setor siderúrgico de obter a elevação das alíquotas de imposto de importação de produtos.

Entendemos que o governo tem a difícil tarefa de balancear as necessidades dos diversos produtores. No entanto, algumas preocupações fundamentais merecem consideração.

A elevação das tarifas de importação do aço pode resultar em aumento substancial nos custos de produção dos setores fabricantes, como i) máquinas e equipamentos; ii) estruturas de máquinas; iii) construção civil e mecânica; iv) aparelhos eletrodomésticos; v) autopeças; vi) eletrodomésticos; vii) infraestrutura e indústria de base; viii) materiais e equipamentos ferroviários e rodoviários; ix) fabricantes de ônibus; x) ferramentais e ferramentas; xi) tubos de aço, entre outros. Isso pode pressionar a inflação, tornar os bens menos competitivos no mercado nacional e global, prejudicando a atividade produtiva, exportação, geração de emprego, renda e tributos.

Por essa razão, tal medida poderá acarretar aumento de custo produtivo em um cenário de preços já elevados, afetando diretamente nossa competitividade. Ademais, esses impactos negativos serão sentidos na economia brasileira como um todo, com efeitos ao longo de cadeias produtivas diversas e estratégicas para o país, até chegar ao consumidor final.

Diante do exposto, as Entidades signatárias solicitam, com urgência, audiência com Vossa Excelência para externar os prováveis efeitos que poderão decorrer da efetivação dessas medidas.

Certos da especial atenção com que o Senhor tem nos distinguido, valemo-nos do ensejo para renovar as expressões do nosso apreço e consideração.

Abcem – Associação Brasileira da Construção Metálica

Abdib – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base

Abemi – Associação Brasileira de Engenharia Industrial

Abfa – Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas, Abrasivos e Usinagem

Abifer – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária

Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos

Abinfer – Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais

Abipeças – Associação Brasileira da Indústria de Autopeças

Abitam – Associação Brasileira, da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal

CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção

Eletros – Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos

Fabus – Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus

Simecs – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região

Simefre – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários

Sinafer – Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo

Sinaval – Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval

Em resposta ao Petronotícias, a ArcelorMittal diz que não fez nenhuma reivindicação para que as alíquotas de importação do aço subissem para 50%, mas confirmou  a suspensão das atividades da unidade de Resende, no Rio de Janeiro,  e a dispensa temporária  de cerca de  400 funcionários. A empresa reclama ainda do que chama de  “concorrência desleal” do aço importado. Veja a nota na íntegra:

“A ArcelorMittal confirma que vai estender as paradas técnicas programadas de suas unidades de Resende (RJ), Piracicaba (SP) e Juiz de Fora (MG), entre os meses de novembro e dezembro. A medida é parte dos esforços da empresa para adequar a sua produção frente ao cenário de baixa demanda por aço no mercado doméstico e de aumento recorde das importações. Com a parada técnica, cerca de 400 empregados de Resende vão entrar em férias coletivas ou compensação do banco de horas.                                

O aumento recorde da importação direta e indireta de aço tem tido impacto, cada vez maior, nas vendas internas e na produção das siderúrgicas no Brasil. Como reflexo desse cenário, a ArcelorMittal projeta uma redução de produção de 1,3 milhão de toneladas em 2023 na comparação com o ano anterior.                               

Diante da concorrência desleal do aço importado, fornecido a preço subsidiado por alguns países, a ArcelorMittal defende a elevação temporária da alíquota do produto importado para 25%, até que a situação se normalize no mercado interno.”

 

 

Fonte: Petro Notícias


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