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Postado em 2 de setembro de 2020 | 19:37

Maior projeto de fusão nuclear do mundo consegue bons avanços em sua montagem

O ITER – o maior projeto de fusão nuclear do mundo – atingiu um marco em sua construção.   Os componentes finais do reator chegaram ao local de construção no sudeste da França. Um projeto US$ 25 bilhões financiados por sete países e com a participação de outros 28, num total de 35 países,   que visa produzir energia de fusão sustentável em escala comercial.  Os financiadores são  Reino Unido, China, Índia, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos. Após décadas de atrasos, nasceu o International Thermal Experimental Reactor. O ITER começou a sério em 2010 e celebra agora o início da fase de montagem, em que os componentes do reator podem agora começar a ser colocados em funcionamento.

Com milhões de componentes fabricados em todo o mundo, pesando 23 mil toneladas e com vários andares de altura, o ITER pode ser o projeto de engenharia   mais complicado da história da humanidade. O reator conterá cerca de 3 mil  toneladas de ímãs supercondutores que serão ligados por 160 milhas de cabos supercondutores, todos mantidos a -269 ° C pela maior planta criogênica do mundo. O processo de fusão os átomos de hidrogênio  forçados a se unirem sob imenso calor e pressão quebram suas ligações atômicas, fundindo-se em um novo elemento mais pesado, o hélio. Alguma massa é perdida no processo e, como resultado, grandes quantidades de energia são liberadas. Isso é o que a famosa fórmula de Einstein E=mc² .  A pequena quantidade de massa perdida (m), multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz (c²), resulta em um número muito grande (E), que é a quantidade de energia criada por uma reação de fusão. Percebeu ou faltou a essa aula?

O problema é que essas reações geram globos de plasma muito quentes e muito instáveis (acima de 100 milhões Kelvin)  que requerem uma quantidade enorme de energia para se manter. Até o momento, a operação de plasma sustentada mais longa registrada  dura pouco mais de 1 minuto.   Imãs enormes são necessários para manter o plasma em uma câmara de vácuo em forma de rosca, que é chamada de Tokamak. O ITER é de longe o maior reator Tokamak que existe. Como as reações nucleares convencionais (fissão), o processo de fusão não emite dióxido de carbono, mas ao contrário de uma usina nuclear, um reator de fusão não pode derreter. As usinas de fusão podem ser alimentadas pelo hidrogênio encontrado em apenas alguns gramas de água do mar e não dependem de materiais radioativos. Como resultado, o processo praticamente não produz resíduos, o que o torna uma fonte confiável, segura e favorável ao clima com energia quase ilimitada – se conseguirmos fazer uma funcionar.

O ITER deve se tornar o primeiro reator do mundo capaz de gerar até 10 vezes a quantidade de calor que consome. Os componentes do reator incluem  um dispositivo fabricado pela Índia que se destina a envolver o reator e evitar o superaquecimento de seus componentes vitais. Magnetos solenoides fabricados nos Estados Unidos, são  responsáveis por induzir e estabilizar o plasma superaquecido, formando a espinha dorsal do reator. Quando em potência total, esses superímãs terão a capacidade de levantar um porta-aviões. É o que os engenheiros responsáveis dizem.

A cooperação internacional em grande escala em um projeto tão complexo é um exemplo de como a pesquisa científica não conhece fronteiras geográficas. Esse modelo foi e deve ser adotado em outras áreas da ciência, como a exploração espacial. Ainda assim, o projeto ITER parece ser volumoso e caro e inspirou muitas empresas menores a desenvolver suas versões de tecnologia de geração de fusão. Isso inclui a Tokamak Energy,   do Reino Unido, que já arrecadou mais de US$ 130 milhões em investimentos. Da mesma forma, Tri Alpha Energy, com sede na Califórnia, que é apoiada pela Microsoft, já   cerca de US$ 500 milhões em investimentos para sua tecnologia exclusiva de acelerador de partículas.

O início da fase de montagem deste colossal projeto internacional, embora notável, não significa que o projeto ainda esteja próximo da linha de chegada. O ITER planeja que todas as partes centrais do reator sejam instaladas, totalmente integradas e prontas para produzir seu primeiro plasma até novembro de 2025. Apesar dos inúmeros atrasos ao longo dos anos, o ITER tem como objetivo atingir a geração total de plasma até 2030. Embora isso possa ser consistente com um ditado comum na indústria de energia. O progresso no aproveitamento da fusão é inquestionável, e, se a fusão comercial for alcançada, a geração atual provavelmente verá uma revolução total na energia em nossas vidas.

 

 

Fonte: Petro Notícias


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