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Postado em 21 de maio de 2020 | 17:37

Eletronuclear rebate equívocos e imprecisões de estudo que critica a conclusão de Angra3

Na mesma semana em que a Eletronuclear trouxe boas notícias ao mercado, com um anúncio de um plano para acelerar a linha crítica das obras de Angra 3, o Instituto Escolhas lançou um estudo repleto de equívocos conceituais sobre o empreendimento, os mesmos de um trabalho similar apresentado pela entidade em 2018. No documento, o instituto critica a intenção do Brasil em concluir a construção da usina e construir novas unidades nucleares. Das duas, uma: ou estão alheios ao que está acontecendo no cenário energético do mundo ou estão movidos por um preconceito em relação à fonte nuclear que não se sustenta frente aos números e fatos.

Para contestar o “novo” estudo, a Eletronuclear produziu uma resposta em que rebate os pontos levantados pelo Instituto Escolhas. A empresa afirma que o documento apenas “requenta os mesmos desacertos conceituais” de estudo anterior e diz que o trabalho coloca custos adicionais à energia nuclear sem qualquer demonstração de como os valores foram determinados. Por fim, a Eletronuclear ainda lembra o caso da Alemanha, que optou por menosprezar suas usinas nucleares e hoje paga pela energia mais cara e poluente da Europa Ocidental. “Opção diametralmente oposta à da China que tem no céu azul a sua maior inspiração para investir na geração nuclear”, destacou.Veja abaixo a resposta completa da Eletronuclear:1.
O presente estudo nada traz de novo, apenas “requenta” os mesmos desacertos conceituais de um trabalho similar apresentado em 2018, feito pelo mesmo grupo. Esse primeiro estudo, intitulado “CUSTOS E BENEFÍCIOS DA TERMELÉTRICA ANGRA 3” é subproduto de um trabalho maior intitulado: “CUSTOS E BENEFÍCIOS DAS FONTES DE GERAÇÃO ELÉTRICA” que não contemplava a geração nuclear. A adição de Angra 3 só aconteceu no estudo de 2018 que abordava uma única usina individual dentro de uma metodologia concebida para cotejar fontes de forma genérica.
“Ressalta-se que o objetivo não é a criação de uma nova metodologia de precificação das fontes nos leilões de energia elétrica ou nos leilões de contratação de lastro para o sistema; e nem uma proposta para o aperfeiçoamento do planejamento da expansão do parque gerador. No entanto, as metodologias propostas neste projeto, bem como os seus resultados, são o ponto de partida para as discussões sobre estes temas”.2. No trabalho original, os próprios autores fazem uma importante ressalva sobre a limitação da metodologia adotada nos estudos e dos objetivos do mesmo. Trata-se apenas de um estudo sem maiores pretensões além de meramente fomentar a discussão.3. Na ocasião da publicação do primeiro trabalho que aborda Angra 3, estudo, em 2018, a Eletronuclear rebateu diversos pontos do trabalho, porém os erros conceituais permanecem sem maiores justificativas.
Nos dois trabalhos são imputados custos adicionais à energia nuclear sem qualquer demonstração de como os valores foram determinados. Assim por exemplo, são acrescidos R$64 por MWh à tarifa teto de Angra 3, estabelecida pela ANEEL, a título de “subsídios e isenções”. O estudo reconhece que “não existem isenções de encargos ou incentivos tributários ou isenções fiscais específicas” para Angra 3, porém em um malabarismo conceitual considera como “subsídios” empréstimos contraídos a taxas de mercado pelo BNDES e CEF.4. Por outro lado, o estudo proporciona, também sem embasamento técnico, um generoso “desconto” à fonte flexível por gás natural no montante de R$ 517/MWh por conta de confiabilidade e robustez, ao passo que o mesmo benefício dado à fonte nuclear na mesma rubrica foi de apenas R$ 7,00.
Por tratar as fontes de forma individualizada, sem considerar a operação conjunta no sistema elétrico, o trabalho do Instituto Escolhas simplesmente “ignora” a operação com alta disponibilidade da fonte nuclear, o que permite a economia de água nos reservatórios das hidrelétricas. Esse fator é fundamental para a formação de reservas hídricas capazes de modular a instabilidade de fontes como a solar e a eólica. Desconsiderar essa realidade, permitiu aos autores do estudo, “no papel”, agregar valores sem qualquer demonstração ao custo das diversas fontes, e sem levar em conta os requisitos de operação integrada do sistema.

Foto do estado atual de Angra 3

Foto do estado atual de Angra 3

5. Outro ponto, no mínimo questionável, do estudo afirma que “existem importantes distorções no sinal locacional da transmissão, mas que não alteraram a competitividade relativa das fontes analisadas”. Ora, a localização de um empreendimento é um fator impactante no custo da sua energia, reduzindo gastos com construção e manutenção de sistemas de transmissão, além dos benefícios à estabilidade do sistema interligado. A central nuclear de Angra dos Reis, incluindo Angra 3, é um exemplo claro disso. Localizada próximo aos maiores centros de consumo do Brasil (Rio, São Paulo e Minas Gerais) e na ponta de um longo eixo de transmissão que se inicia em Itaipu, a energia nuclear tem sua importância para o país reconhecida pelo ONS , mas ignorada nas “importantes distorções” da metodologia arbitrária do estudo.

6. Além disso, o trabalho compara valores de construção das 3 usinas nucleares sem levar em consideração o fator histórico e as devidas correções monetárias que deveriam ter sido aplicadas. Contrapõe assim, sem maiores cuidados, os 8,4 bilhões de dólares de Angra 1 nos anos 70-80 com os 17,2 de Angra 2 no final da década de 90 e 25 bilhões de Angra 3, 30 anos depois.

Por fim, a Eletronuclear ressalta que o debate sobre o papel da energia nuclear é importante para o desenvolvimento do país, mas precisa ser feito no foro adequado e baseado em informações corretas. Decisões baseadas em “dogmas” que o coordenador editorial do presente estudo, advogado Sérgio Leitão, conhece bem dos seus tempos como diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil, tendem a levar a sérios erros tanto do ponto de vista ambiental quanto do econômico.

A Alemanha optou, há alguns anos, por desligar suas usinas nucleares e, hoje, tem a energia mais cara e poluente da Europa Ocidental. Opção diametralmente oposta à da China que tem no céu azul a sua maior inspiração para investir na geração nuclear.

 

Fonte: Petro Notícias


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