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Postado em 15 de setembro de 2020 | 17:06

Demanda global por petróleo pode nunca mais recuperar patamar pré-crise, diz BP

A demanda global por petróleo pode ter atingido o seu pico e nunca mais recuperar os patamares anteriores à pandemia de covid-19, segundo a petroleira britânica BP. Se confirmado, o cenário apontado pela companhia pode inaugurar um novo momento na história moderna, marcado pelo declínio do consumo petrolífero.

De acordo com a BP, a queda será puxada, sobretudo, pela retração do uso dos combustíveis nos meios de transporte. O estudo “Energy Outlook 2020, publicado nesta segunda-feira pela empresa, aponta três cenários de transição energética para uma economia de baixo carbono. Em todos eles, o pico do consumo de derivados do petróleo no transporte rodoviário já passou — embora, nas economias emergentes, ele tenda a continuar crescendo até o início dos anos 2030 no cenário de transição energética rápida (“rapid”) e no cenário mais agressivo (“net zero”).

No cenário mais modesto para a transição energética (business-as-usual) o pico de demanda nos emergentes deve ser atingido apenas no fim dos anos 2030.
De acordo com o estudo da BP, o petróleo perderá relevância na matriz energética do setor de transportes. Responsável por mais de 90% da demanda global no segmento, o óleo responderá por 20% a 80% em 2050, dependendo da velocidade das mudanças no hábito de consumo. A expectativa é que o óleo perca espaço com a expansão da frota de veículos elétricos.

“A demanda por combustíveis líquidos nos cenários ‘rapid’ e ‘net zero’ [os dois em que a transição energética ocorre de forma mais acelerada] nunca se recupera totalmente da queda causada pela covid-19, implicando no fato de que a demanda por petróleo atingiu o pico em 2019 em ambos os cenários”, afirma o estudo da petroleira.

Nesses dois cenários, a previsão é que o consumo de combustíveis líquidos caia para entre 30 milhões de barris/dia e 55 milhões de barris/dia até 2050, de forma concentrada no mundo desenvolvido e na China. O segmento de transporte responderá por cerca de dois terços do declínio do uso de combustíveis líquidos até 2050.

No caso do cenário mais modesto de transição, depois de se recuperar do impacto da covid-19, o consumo de combustíveis tende a se manter estável em cerca de 100 milhões de barris/dia pelos próximos 20 anos, antes de cair para cerca de 95 milhões de barris/dia em 2050. Nessa projeção, a demanda será puxada pela Índia e outros países da Ásia e da África.

O economista-chefe da BP, Spencer Dale, destaca que a expectativa é que haja um declínio “sem precedentes” do consumo de óleo nas próximas décadas. Questionado sobre os diferentes cenários apresentados, ele disse que é difícil dizer que quando, de fato, o pico da demanda por petróleo será atingido.

Dale destacou, contudo, que o plano estratégico da empresa não se baseia na data em que o pico ocorrerá, e sim no fato de que, embora o setor petrolífero vá continuar a ser parte central da matriz mundial, a fonte perderá espaço com o tempo para as renováveis. “As renováveis vão penetrar mais rápido [na matriz mundial] do que qualquer combustível na história moderna”, afirmou, hoje, durante apresentação do estudo.

Em meio às transformações do setor, a BP anunciou este ano um aumento nos investimentos em tecnologias de baixo carbono para US$ 5 bilhões/ano até 2030 e planos para elevar sua capacidade de geração renovável para 50 gigawatts, enquanto a produção de petróleo e gás será reduzida em 40%.

O presidente global da multinacional, Bernard Looney, disse que a ideia da companhia é se transformar numa empresa integrada de energia. E destacou o entusiasmo da empresa em investir em solar e eólica, especialmente na geração eólica offshore. “Ela está crescendo mais que nenhuma outra, estamos muito entusiasmados e olhando crescer com isso”, disse o executivo, que acredita ser possível atingir retornos de investimentos da ordem de 8% a 10% com a aposta em renováveis.

Mudança nos consumidores

A BP acredita que a pandemia desencadeará também algumas mudanças duradouras no comportamento dos consumidores e cita, como exemplo, a perspectiva de aumento do trabalho em casa.

Essa mudança estrutural do mercado, segundo a BP, trará implicações significativas para o refino. O excesso de capacidade das refinarias levará ao aumento da concorrência e ao eventual fechamento das refinarias menos competitivas — sobretudo nas economias desenvolvidas, onde a queda da demanda doméstica aumenta a exposição das refinarias a um mercado de exportação de produtos altamente competitivo.

Na petroquímica, por sua vez, a expectativa é que a demanda por petróleo continue a crescer. No cenário mais radical da transição energética, o consumo desse setor deve começar a cair apenas na década de 2040.

 

 

 

Fonte: Valor


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