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Postado em 15 de janeiro de 2018 | 18:08

Vinho do Porto: Exportações em queda, mercado interno compensa

A exportação de vinho do Porto esteve em queda em 2017, em volume e valor. Em volume, foram exportadas menos 150 mil caixas do que em 2016 (-3%). Em receita a diferença é residual, da ordem dos dois milhões de euros, ficando nos 255 milhões. A receita global cresceu 2% (322 milhões de euros), à boleia do mercado doméstico. O crescimento em Portugal (+10% em valor), ao ritmo do ano anterior, compensou a redução no exterior, gerando uma receita de 65 milhões de euros.
Mas, a nota mais relevante de 2017 reside no fim do reinado francês como principal fonte de receita do vinho do Porto. Em 1963, a França destronou o Reino Unido como campeão de vendas , um título que terá perdido em 2017 para o mercado português.
As contas não estão fechadas “mas muito provavelmente mercado português ascendeu ao primeiro lugar em receita”, diz ao Expresso Manuel Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Um “momento histórico” e uma evolução curiosa tendo em conta a vocação exportadora que sempre marcou o vinho do Porto.
TURISMO E PORTUGALIDADE
A expansão do mercado domestico superou as expectativas mais otimistas dos operadores. Os produtores apontam o aumento persistente do turismo, em especial no Porto e Douro, como principal fator da prosperidade do negócio doméstico, realçando que uma dose das vendas configura exportações disfarçadas. Por ano, as caves, em Gaia, recebem mais de um milhão de visitantes.
Manuel Cabral subscreve a visão mas nota que “há evidências” de que os portugueses estão a consumir mais vinho do Porto pela “história e portugalidade que carrega”, preferindo “categorias de maior qualidade e preço médio mais elevado”.
O CASO FRANCÊS
Portugal e França valem cada um um quinto da receita. Mas, fica claro que em 2018 o mercado português se consolidará como campeão de vendas. Em volume, a liderança da França permanece incontestada (1,9 milhões contra 1,2 milhões de caixas).
A evolução do consumo nos últimos 10 anos indiciava que a ultrapassagem era inevitável. As vendas em Portugal aceleraram a partir de 2011, enquanto as exportações para França registam um gradual e persistente declínio – em oito anos a receita reduziu-se em 13 milhões de euros. Em 2017, o negócio em França voltou a cair (6% em valor e 7% em volume).
António Saraiva, presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) classifica como “muito preocupante” a queda persistente do mercado francês, um “mercado em que o vinho do Porto desfruta de grande notoriedade, mas sofre com a imagem de ser um aperitivo de baixo custo, com uma clientela envelhecida”.
Manuel Cabral diz que o IVDP e as empresas “estão atentas” à evolução do mercado, apostando numa estratégia promocional que conceda uma novo posicionamento no mercado, através “da valorização do produto, novos momentos de consumo e a sedução das gerações mais jovens”.
IVDP e AEVP concordam que para recuperar o brilho perdido, é preciso conquistar agentes comerciais e líderes de opinião, promovendo “campanhas para seduzir novos públicos, programas dirigidos sommeliers com propostas de harmonizações e um esforço para impor as categorias especiais”.
NÓRDICOS REDUZEM, RÚSSIA E POLÓNIA EM ALTA
Russia (53%) Brasil (19%) e Polónia (15%) foram os mercados externos que mais cresceram em 2017, um ano que Reino Unido, Estados Unidos e Canadá revelaram pujança entre os mercados do top 10.
Nos últimos 10 anos, os cinco principais mercados reduziram o contributo para o negócio global. Em 2007, o peso era de 81%, este ano ficará nos 71%, refletindo uma maior diversidade de destinos e o reforço de mercados em ascensão.
Manuel Cabral destaca a consolidação verificada na Rússia (13º lugar) e Polónia (15º). Em 2017, o Japão desiludiu. A China não surge na lista dos 25 maiores. A China “é um mercado de paciência e investimento”, adverte Manuel Cabral.
Os mercados do norte da Europa, à exceção da Dinamarca, registam uma redução assinalável. A Dinamarca (9º lugar) subiu as vendas em 6% e, juntamente com o Canadá, é o mercado em que o segmento das categorias especiais regista uma maior peso (75%). Mas, os restantes nórdicos (Suécia, Noruega e Finlândia) estiveram em queda. Uma ” perda episódica e pontual que não traduz uma tendência consolidada”, nota Manuel Cabral.
No vinho do Porto, o recorde de vendas permanece nos 428 milhões de euros, registado em 2002 (10,6 milhões de caixas de 9 litros).
CHINA PREFERE VINHO DE MESA
Em 2017, os restantes vinhos produzidos no Douro (mesa e moscatel) registaram uma evolução favorável, com o crescimento em Portugal a bater os mercados de exportação. No caso do vinho DOP – Denominação de Origem Protegida, a receita terá rondado os 140 milhões (+8%) – a exportação pesa 40%.

A China é o 11º maior cliente externo e progrediu 8%. Polónia (45%), Angola (40%) Brasil (32%) registaram as maiores subidas. No moscatel, a exportação é residual (750 mil euros), centrada nos mercados da saudade. Mas, China e Taiwan, com crescimentos de 40 e 730 por cento, dão sinais de entusiasmo por esta casta mais doce.

A região do Douro, com os vinhos de mesa, generoso e moscatel, gerou, em 2017, 480 milhões de euros, e contribuiu com 320 milhões para a balança comercial portuguesa.

Fonte: Expresso

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