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Postado em 4 de agosto de 2020 | 17:18

Uma mina de ferro à espera da ferrovia

A expansão da produção de minério de ferro no Brasil, e a diversificação geográfica, enfrenta carência de logística ferroviária, fundamental para tornar viável um projeto com escala de milhões de toneladas. É o caso da Bahia Mineração (Bamin). A empresa aguarda a retomada da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a Fiol, que está com obras interrompidas há vários anos. Há uma previsão de ser licitada este ano pelo Ministério da Infraestrutura.

O projeto da Bamin, controlada pelo Eurasian Resources Group, do Casaquistão, prevê fazer 18 milhões de toneladas por ano, num investimento de US$ 700 milhões. Assim, a Bahia se tornaria o terceiro maior produtor de minério de ferro, atrás de Minas Gerais e Pará. O projeto da empresa inclui ainda um terminal portuário diversificado em Ilhéus (BA). Aí são mais US$ 800 milhões de aportes.

Se for necessário, estamos dispostos a participar da licitação da Fiol em um consórcio, disse Alexandre Aigner, diretor financeiro e de relações institucionais da mineradora, sediada em Salvador. O ERG já tem experiência de operar ferrovias na Ásia. Ele diz que, pelo andamento do trâmite no governo federal, o edital da licitação da Fiol poderá ser publicado até fim de setembro. Assim, a ferrovia poderia ir a leilão no início de 2021.

Pertencente à estatal Valec, a Fiol tem um traçado com origem em Ilhéus, cortando o sudoeste da Bahia e com ponto final em outra ferrovia, a Norte-Sul, na cidade de Figueirópolis (TO). Ao todo são 1527 km, mas a parte que interessa à Bamin tem 520 km, margeando Caetité, município onde está a mina Pedra de Ferro.

O trajeto até Caetité já tem mais de 70% das obras avançado. Um empreendimento de minério de ferro em alta escala de produção só é viável montado no sistema mina-ferrovia-porto. Outra via é mina-mineroduto-porto, como o Minas-Rio (Anglo American) e o que a SAM prevê no norte de Minas Gerais, A Samarco, paralisada, foi pioneira, de Minas ao Espírito Santo.

Enquanto a Fiol continua inacabada, a Bamin decide fazer o que é possível de ser feito. A empresa vai ativar, até outubro, um projeto de produção em baixa escala. O objetivo é produzir 800 mil toneladas no prazo de um ano, a partir de novembro, e vender também a totalidade de produto que se encontra estocado.

Para a produção de até 1 milhão de toneladas por ano, a mineradora já tem as licenças ambientais para a extração do minério na Pedra de Ferro. Já o projeto de 18 milhões de toneladas obteve a licença de implantação.

Para esse início de produção serão investidos R$ 40 milhões, informa Aigner, da Bamin. A logística de escoamento do minério, no entanto, será rodoviária, o que encarece a operação. O produto, dos tipos granulado e finos (sinter-feed) será levado em carretas até o porto do complexo naval de Enseada, em Maragogipe, cidade no Recôncavo Baiano.

Os recursos serão alocados na reativaçao de um terminal de transbordo, em Licínio de Almeida (a 40 km), onde o minério será blendado e carregado, via ferrovia da VLI, para o mercado interno. Para o externo, seguirá por rodovia em carretas que transportam 33 toneladas cada uma, até o terminal portuário de Enseada.

Segundo o diretor, a produção nesta fase é importante para mostrar que o projeto, como um todo, é viável e que a Bamin poderá ser um fornecedor mundial (e até local) confiável. Os grandes mercados no alvo da empresa são China, na Ásia, Europa e Oriente Médio.

De acordo com Aigner, o minério da produção de baixa escala, e também no futuro – com instalações de beneficiamento e de concentração do produto -, terá teor de ferro entre 65% e 66%. Atualmente, o produto de referência na China, com 62%, é negociado acima de US$ 115 a tonelada.

Até o fim de 2021, a mineradora prevê colocar no mercado 800 mil toneladas. Desse volume, 35 mil toneladas de produto já estocado serão despachadas, via trem, para clientes no Brasil.

A retomada de produção, segundo o diretor, vai movimentar a economia da região, como o de serviços e fornecedores, criando empregos. A previsão é de gerar R$ 47 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.

Atualmente, em Caetité, a empresa tem 89 funcionário diretos para as operações da mina. Os indiretos serão mais cerca de 300 de empresas terceirizadas.   As reservas de minério da Bamin foram descobertas em 2005 e a empresa constituída em 2006. O grupo ERG, produtor de minério de ferro no Casaquistão, com 12 milhões de toneladas, comprou 50% em 2008 e o restante em 2010. Também produz ferrocromo, além de alumina, alumínio, cobre, cobalto, carvão energético, É gerador de energia no país e operador de ferrovias na Ásia Central. Tem faturamento anual de US$ 6 bilhões.

 

 

Fonte: Globo


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