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Postado em 16 de abril de 2019 | 18:07

Pacote de medidas é afago para caminhoneiros, mas não resolve problema de custo, diz CNTA

O conjunto de medidas anunciado pelo governo federal nesta terça-feira para apoiar os caminhoneiros autônomos representa um apoio bem-vindo para os motoristas, mas não resolve o problema principal da categoria, que é o estabelecimento de fretes que reponham o custo dos trabalhadores, afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno.

“A gente está fazendo uma leitura de que este pacote é um oxigênio que se está dando para o setor, porque o governo ainda não tem as respostas que a categoria precisa para manter sua subsistência em uma condição normalizada”, disse Bueno em entrevista à Reuters. A CNTA afirma representar mais de 140 sindicatos e nove federações de motoristas do país, que envolvem um universo de 900 mil caminhoneiros autônomos.

O governo de Jair Bolsonaro anunciou mais cedo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai dar crédito de 30 mil reais para caminhoneiros bancarem manutenção de seus veículos e investir 2 bilhões de reais em obras rodoviárias que incluem pavimentação de locais importantes, como o trecho final da BR-163 até Miritituba, no Pará.

O anúncio foi feito alguns dias depois da interferência de Bolsonaro que levou a Petrobras a cancelar na semana passada uma alta de 5,7 por cento no preço do diesel.

Na avaliação de Bueno, “esse afago dos 30 mil reais é bem vindo por aqueles (motoristas) com contas atrasadas em postos de abastecimento. Pode dar uma amenizada na situação financeira deles para retomarem a atividade…Mas a principal necessidade do caminhoneiro hoje é o estabelecimento do piso mínimo de frete com fiscalização”.

Em sua fala durante o anúncio, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que entre as medidas no pacote está uma intensificação da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o cumprimento da tabela atual de fretes pelos contratantes de transporte de carga. Esta tabela, instituída em meados do ano passado, está tendo metodologia revista e foi colocada em consulta pública na semana passada.

Bueno afirmou que um dos problemas da criação às pressas da tabela pelo governo Michel Temer foi que não houve o estabelecimento de mecanismo de fiscalização de seu cumprimento e rejeitou que os caminhoneiros autônomos possam ser responsabilizados pela interferência de Bolsonaro na decisão de preço do diesel da Petrobras.

“Estão usando o caminhoneiro. Não conseguimos identificar quem está manipulando a situação. A realidade é que o problema do caminhoneiro não é o diesel, o reajuste para mais ou para menos, com a política do piso mínimo de frete, não deveria influenciar o caminhoneiro. Essa decisão da Petrobras de não reajustar (o preço do diesel) não ajuda em nada.”

No raciocínio de Bueno, como desde o ano passado a tabela já previa um reajuste automático de seus valores quando os reajustes do combustível somassem 10 por cento, o aumento em si do preço não geraria problemas para a categoria, se houvesse fiscalização para cumprimento do piso mínimo de frete atual.

“Os caminhoneiros autônomos consomem menos de 3 por cento do óleo diesel no país. Quem está sendo beneficiado pela decisão da Petrobras é o agronegócio e a indústria”, disse o presidente do CNTA. “Se fosse esse o problema (o preço isolado do combustível) estaríamos pedindo subsídio no combustível”, acrescentou.

Bueno comentou que a CNTA tem reunião na semana que vem com representantes do governo para “nos posicionar de forma clara”.

“Está todo mundo (caminhoneiros) dando um voto de crédito, a categoria apostou neste governo. Eles (motoristas) ainda estão acreditando. As medidas desta terça-feira minimizam um pouco a situação mas não são a solução do problema da categoria”, disse.

Fonte: Reuters


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