-->
Home | Jornal Multimodal | Mercado Livre ultrapassa a Vale e se torna empresa mais valiosa da América Latina
Postado em 11 de agosto de 2020 | 17:15

Mercado Livre ultrapassa a Vale e se torna empresa mais valiosa da América Latina

A economia da Argentina está em crise há muitos anos, mas, agora, nossos “hermanos” têm um motivo para se vangloriar em relação ao Brasil. A companhia portenha Mercado Libre (ou Mercado Livre, em português) superou a Vale e se tornou a empresa mais valiosa da América Latina.

Conforme levantamento da Economática, realizado a pedido do Valor, na quinta-feira (6) o Mercado Livre atingiu um valor de mercado de US$ 60,644 bilhões, acima da Vale (US$ 59,363 bilhões) e Petrobras (US$ 57,537 bilhões). A lista das cinco maiores companhias latinas tem ainda Itaú (US$ 46,152 bilhões) e o Wal Mart do México (US$ 42,183 bilhões). Este ano, a ação do Mercado Livre negociada em Nova York acumula alta de 106,32%, enquanto o papel da Vale lá cai 15,59%.

Para Luis Sales, analista da Guide Investimentos, o avanço das companhias de comércio eletrônica era uma tendência que já vinha ocorrendo, mas acelerou com as medidas de isolamento social trazidas pela pandemia do novo coronavírus.

O Mercado Livre foi fundado em 1999 por Marcos Galperin. Atualmente, a companhia opera em 19 países, sendo que os principais mercados são Brasil, Argentina e México. A companhia vai anunciar seus resultados do segundo trimestre na segunda-feira (10). Além do comércio eletrônico em si, a companhia também engloba a fintech Mercado Pago e a companhia de logística Mercado Envios.

No primeiro trimestre, o Mercado Livre teve prejuízo líquido de US$ 21,109 milhões, revertendo lucro de US$ 11,864 milhões em igual intervalo do ano anterior. A receita cresceu 70,5%, a US$ 652,1 milhões, desconsiderando os efeitos do câmbio. A título de comparação, a Vale teve receita operacional líquida de US$ 7,518 bilhões, com queda de 18,16%. O lucro líquido foi de US$ 995 milhões, revertendo prejuízo de US$ 133 milhões no segundo trimestre de 2019.

Em um relatório recente, os analistas do BTG haviam registrado que o Mercado Livre tinha ultrapassado o Itaú em valor de mercado. Eles apontam que, juntos, Mercado Livre, XP, Stone e PagSeguro valem mais do que a combinação de Itaú, Banco do Brasil e Santander. “O novo está se tornando mais relevante do que o velho. Então, o velho precisa mudar. Mas isso não é fácil e apenas poucos serão bem-sucedidos”, dizia o texto.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, aponta que a ascensão de companhias como o Mercado Livre tem um componente conjuntural, com a pandemia levando a um rápido e forte crescimento na demanda por serviços e produtos digitais, mas também estrutural. “Há uma mudança bastante clara na percepção de valor. Quem gera inovação, está na fronteira tecnológica, fatalmente é percebido pelo mercado como algo que tem mais potencial”, comenta. Ele cita o exemplo da fabricante de veículos elétricos Tesla, que hoje em dia tem um valor de mercado maior do que todas as montadoras tradicionais.

Sales, da Guide, lembra que cada vez mais os investidores brasileiros estão sendo orientados a diversificar suas carteiras e apostar em ativos estrangeiros. Para quem ainda não quer correr todo o risco cambial, uma opção são os recibos de empresas internacionais negociados na bolsa brasileira, os chamados BDRs. Entre os BDRs mais negociados, estão os da Apple, Amazon e também Mercado Livre.

Apesar do forte crescimento das empresas de tecnologia, investir nelas não deixa de conter riscos. Silvio Campos Neto lembra que essas companhias muitas vezes ainda não estão na fase de dar lucros e precisam se provar, ou seja, mostrar que realmente conseguem entregar resultado. Ao mesmo tempo, ele aponta que ainda existe muito espaço para que companhias de setores tradicionais da economia continuem operando e tendo bons resultados. “A demanda por minério de ferro, por petróleo, continua existindo, as obras de infraestrutura estão aí. A China é um grande exemplo disso. Não acho que as companhias tradicionais estejam fadadas a continuar perdendo valor, mas elas têm que encontrar um caminho na linha da inovação”, acrescenta.

 

 

Fonte: Valor


143 queries in 3,463 seconds