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Postado em 16 de agosto de 2018 | 18:32

Indústria moveleira precisa rever conceitos na exportação

A indústria moveleira precisa usar melhor a tecnologia e a informação para abrir mercados no exterior, mas também para agregar valor ao produto vendido dentro do País e voltar a ter um crescimento médio anual de 3% até 2022. De olho nesse cenário, Arapongas sedia o 9º Congresso Moveleiro da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), com o tema “Virtual + Real – Convergir para gerar vantagem competitiva” e a 1ª Mostra Móveis, que visa apresentar aos varejistas os últimos lançamentos de olho nas vendas de fim de ano. Os dois eventos começaram na quarta (15) e vão até sexta-feira (17), no Expoara (Centro de Eventos de Arapongas), com entrada gratuita para a feira.

A expectativa é reunir 1,5 mil inscritos, entre industriais, empresários do varejo, arquitetos, além de profissionais de design, decoração, marketing e vendas para as palestras das 8 às 13 horas e visitas, das 15 às 21 horas, aos 60 estandes das marcas do Paraná, Santa Catarina e sul de São Paulo. Ainda, o Sebrae e a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) promovem a partir desta quinta-feira (16) rodadas de negócios com 32 compradores nacionais e outros 45 de oito países, com representantes de fábricas.

Diretor do Iemi Inteligência de Mercado, Marcelo Prado apresentou estudo sobre o setor que aponta que a indústria brasileira se desenvolveu e se atualizou no período do boom de consumo de móveis, durante a expansão imobiliária nacional, mas focou apenas no mercado interno. Ele afirmou que o País chegou a US$ 855 milhões em exportações há 11 anos, valor que recuou devido à valorização do real e ao fortalecimento do poder de consumo nacional, que fez com que a demanda superasse a condição de produção. “Em termos competitivos, a indústria está muito bem. Precisa agora criar atratividade para os produtos, o grande desafio para o Brasil, que é se desconectar um pouco do foco do melhor preço para ser o que as pessoas querem consumir realmente.”

Com a crise econômica, foi necessário buscar mercados no exterior e houve alta de 11,5% nas exportações em 2017 sobre 2016, segundo o Iemi. Para este ano, a projeção é de nova alta de 8,9%. Porém, em valores, a expectativa é que as vendas de móveis ao exterior batam em US$ 599,8 milhões, o que representa apenas 3% da receita do setor para o ano. “Não podemos viver somente de exportações, mas temos de nos empenhar nesse processo, que é longo, porque a expectativa é que as exportações cresçam em índices maiores nos próximos anos do que deve ocorrer com a produção e a demanda interna”, disse Prado.

Contudo, ele afirma que é preciso entender o funcionamento desse mercado. “Não é ser o mais barato e oferecer mais do mesmo. Temos de ter brasilidade, nossos conceitos de marca, nosso estilo, isso é valorizado lá fora. Se formos até lá vender um produto igual ao deles, mas mais barato, estaremos condenados a nos sujeitar ao preço e ao câmbio”, sugeriu o diretor da Iemi.

A diretora técnica do Centro Brasil Design, Ana Brum, afirmou que é preciso um trabalho multidisciplinar para ganhar mercado e garantir crescimento sustentável. “Não podemos querer exportar somente o excedente da nossa indústria. Precisamos pensar um pouco mais quem é a pessoa que está no outro país, qual é a cultura dela, como ela usa esse móvel, como consome, para dar um grande salto para chegar lá com mais efetividade.”

Brum considerou que pesquisas de campo apontam que o consumidor brasileiro é diferente do norte-americano, por exemplo, em termos de volume, cores e capacidade de aquisição. O empresário que trabalhar interdisciplinarmente, que consultar compradores, equipes de exportação, vai colocar mais limitantes para o profissional criativo e será mais efetivo nesse trabalho.”

Fonte: Folha de Londrina


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