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Postado em 29 de agosto de 2017 | 16:17

Indústria brasileira encontra no exterior a saída para compensar crise no Brasil

Diante de um cenário de intensa retração no consumo no Brasil, as exportações têm sido a mola de salvação para boa parte da indústria nacional. Entre 24 ramos do setor no país analisados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), 16 aumentaram as vendas para o mercado internacional no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período de 2016. Em Minas Gerais, a estratégia de cruzar fronteiras tem sido reforçada por empresas de vários segmentos, de alimentação ao automotivo. O percentual da produção destinado pela indústria brasileira de transformação ao exterior bateu o recorde histórico, atingindo 18,2%, ainda de acordo com estudo feito pela Firjan que compõe o Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE).

Entre os setores que investiram firme nas exportações estão o de borracha e plástico, produtos químicos, máquinas, madeira, alimentos, vestuário, móveis e têxtil. Uma explicação para o aumento da parcela de produção exportada é a combinação da queda na produção e aumento na quantidade exportada, influenciada também pela redução no câmbio. “Houve aumento na parcela exportada frente ao que fica no mercado interno devido principalmente à queda nos níveis de produção”, explica o coordenador de estudos econômicos da Firjan, Jonathas Goulart. A despeito do índice histórico das vendas externas da indústria, o especialista afirma que os embarques ainda não atingiram níveis suficientes para compensar inteiramente a diminuição no consumo dos brasileiros.

De janeiro a junho último, a Forno de Minas vendeu 1,2 mil toneladas de pão de queijo a diversos países, volume equivalente a toda a exportação registrada no ano passado. Atualmente, o mercado internacional responde por 5% do faturamento da indústria de alimentos. A meta para este ano é aumentar as vendas ao exterior em 30,83%. A empresa quer chegar a 2020 exportando 15% da produção da iguaria típica de Minas.

“O pão de queijo ainda é um produto desconhecido de muita gente, mas achamos que a primeira forma de driblar a crise no Brasil é conquistar o mercado externo”, diz o presidente da Forno de Minas, Hélder Mendonça. De acordo com ele, se antes a empresa investia nos países onde há muitos brasileiros, agora a estratégia é diversificar o mercado com ações de degustação, como o fornecimento para café da manhã em hotéis. “O desafio é fazer o consumidor experimentar pela primeira vez”, avalia.

O gerente de exportações da Pif Paf Alimentos, Edson Cavalcanti, conta que a empresa aumentou em 40% as exportações nos últimos 12 meses. Para atingir a meta de chegar a 10% do faturamento com vendas para outros países, a empresa investiu R$ 20 milhões. “Já era uma ideia aumentar as exportações, mas com a crise brasileira a decisão foi fortalecida e antecipada”, afirma. De acordo com ele, hoje a Pif Paf atende a mais de 50 países, sendo os três principais compradores o Japão, Hong Kong e Rússia.

Segundo Cavalcanti, a PIF PAF não sofreu queda tão acentuada no consumo nacional, em meio à crise da economia brasileira, porque a linha mestra de sua produção é o frango, um produto mais barato em relação à carne bovina e ao peixe. No entanto, se o nível de consumo não caiu tanto, os preços, sim, foram impactados – além da turbulência nas vendas, a indústria frigorífica enfrentou a má repercussão da Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano e que apontou adulteração em carnes vendidas por mais de 30 empresas.

Automóveis O setor automotivo também pode comemorar: o resultado acumulado no ano é o melhor da série histórica. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), houve crescimento de 42,5% nas vendas para o mercado externo no comparativo entre os meses de julho de 2016 e deste ano. No mês passado, foram embarcadas 65,7 mil unidades, ante 46,1 mil em julho do ano passado. Nos sete primeiros meses do ano, o mercado internacional comprou 439,6 mil automóveis brasileiros, aumento de 55,3% em relação aos 283,1 mil vendidos de janeiro a julho de 2016.

Ainda de acordo com a Anfavea, os fabricantes de caminhões exportaram em julho 3 mil unidades, crescimento de 7,1% em comparação com as 2,8 mil unidades vendidas em junho e de 57,8% na comparação com com as 1,9 mil unidades vendidas em julho de 2016. No acumulado do ano, os dados apontaram expansão de 47,4%, atingindo 16,6 mil caminhões vendidos no exterior ao longo de 2017. A exportação de máquinas agrícolas e rodoviárias também teve acréscimo de 40,9% em relação aos sete primeiros meses de 2016.

“Houve aumento na parcela exportada frente ao que fica no mercado interno devido principalmente à queda nos níveis de produção”

Fonte: Estado de Minas

One comment

  1. Há anos as empresas só procuram o mercado externo quando o interno está em baixa; podemos chamar isto de “cultura exportadora?”

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