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Postado em 12 de janeiro de 2021 | 20:32

Governo e setor industrial culpam custo Brasil pela saída da Ford do País

A decisão da Ford de fechar suas três fábricas de automóveis no País trouxe à tona a discussão sobre o custo Brasil. Para entidades que representam o setor industrial,  o País precisa aprovar rapidamente a reforma tributária e mostrar compromisso com o equilíbrio fiscal.

Em nota oficial, o Ministério da Economia disse que lamenta a decisão global e estratégica da Ford de encerrar a produção no Brasil. “A decisão da montadora destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no país, muitos já registrando resultados superiores ao período pré-crise”, diz o ministério.

“O ministério trabalha intensamente na redução do custo Brasil com iniciativas que já promoveram avanços importantes. Isto reforça a necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais”, complementa a nota.

Além disso, a equipe econômica estaria negociando com outras fabricantes de veículos para assumirem a operação da Ford no Brasil. De acordo com a Folha de S.Paulo, é possível que uma montadora chinesa assuma uma das unidades.

O governador da Bahia, Ruy Costa, também anunciou que está negociando com as embaixadas de outros países para tentar encontrar uma empresa interessada em ficar com a planta de Camaçari.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) considera que a decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil, depois de mais de 100 anos de atividade, é uma triste notícia para o País e um movimento que tem de ser olhado com atenção.

“A Fiesp tem alertado sobre a necessidade de se implementar uma agenda que reduza o custo Brasil, melhore o ambiente de negócios e aumente a competitividade dos produtos brasileiros. Isso não é apenas discurso. É a realidade enfrentada pelas empresas”, diz a entidade em nota.

Para a federação, a alta carga tributária brasileira faz diferença na hora da tomada de decisões. “O custo de cada automóvel produzido aqui, por exemplo, dobra apenas por conta dos impostos – e ainda há governantes que pensam no absurdo de aumentar tributos, como no caso da inacreditável alta do ICMS em São Paulo. Precisamos urgentemente fazer as reformas estruturais, baixar impostos e melhorar a competitividade da nossa economia para atrair investimentos e gerar os empregos de que o Brasil tanto precisa.”

A CNI (Confederação Nacional da Indústria), por sua vez, avalia que a decisão da Ford é um sinal de alerta para os governos federal, estados e municípios, além do Congresso Nacional, sobre a necessidade de aprovar, com urgência, medidas para a redução do custo Brasil. Entre elas, diz a entidade, a reforma tributária se apresenta como a prioritária para a redução do principal entrave à competitividade do setor industrial brasileiro.

De acordo com o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaodi, o fechamento das fábricas é uma péssima notícia, em um momento de recuperação econômica, tanto pelos empregos que se perdem quanto por todo o impacto na cadeia produtiva do setor automobilístico, uma das mais complexas da indústria brasileira.

“Entendemos que a decisão está alinhada a uma estratégia de negócios da montadora. Mas, o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar. O Brasil tem que lutar para melhorar sua competitividade, pois, além das fábricas, há toda uma cadeia automotiva que inclui redes de concessionárias, fornecedores de partes e peças e diversos outros serviços. Essa decisão reforça a urgência de se avançar na agenda de competitividade e redução do Custo Brasil”, diz Abijaodi.

A Anfavea (associação das montadoras) disse que não vai comentar sobre o tema por se tratar de uma decisão estratégica global de uma das suas associadas. “Respeitamos e lamentamos. Mas isso corrobora o que a entidade vem alertando há mais de um ano, sobre a ociosidade da indústria (local e global) e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”, diz a entidade em nota oficial.

 

 

Fonte: Isto é Dinheiro


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