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Postado em 11 de agosto de 2020 | 17:13

G20 aponta infraestrutura como saída para o crescimento

O caminho do crescimento passa pela infraestrutura. Está é a mensagem que o B20, grupo de representantes de negócios dos países que formam o G20, levaram este sábado aos presidentes de bancos centrais do bloco. Richard Goyder e Robert Millliner, respectivamente presidente e sherpa do B20, explicaram que, no atual ambiente de anêmico crescimento das economias, investir em infraestrutura é a melhor maneira de gerar crescimento e produzir empregos.

– Há um abismo significativo nos gastos globais em infraestrutura – disse Goyder. -O investimento em infraestrutura tornaria as economias mais eficientes.

Ele ainda assegurou que é possível ultrapassar a meta de elevar o crescimento global em 2% nos próximos cinco anos, chegando a 3%.

– Isso significa mais comércio, melhor infraestrutura, um sistema financeiro acessível e seguro, além de capital humano no lugar certo, no momento certo e com as habilidades certas – afirmou.

O B20 propõe a criação de um hub de infraestrutura, por meio do qual os países do G20 poderiam trocar informações sobre as melhores maneiras de investir nessas áreas, explicou Milliner. Segundo ele, os governos podem investir tanto no que chamou de infraestrutura produtiva (estradas, ferrovias etc.) quanto na social – saúde e educação.

– Por exemplo, 30% de toda a comida no mundo se perdem no trajeto entre o produtor e o consumidor. Estradas ruins são problemas de infraestrutura. Se conseguirmos reduzir esse percentual à metade, haveria 15% a mais de comida no mundo – disse Milliner.

Ele explicou que a Índia projeta investir US$ 1 trilhão em infraestrutura nos próximos cinco anos, o mesmo valor que os EUA estimam ser necessário acrescentar a seus gastos na área, conforme o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew, afirmou a Milliner.

 

RECICLAGEM DE ATIVOS

Mas, em meio a apelos por austeridade fiscal por parte dos governos, como investir em infraestrutura? Segundo Milliner, essa seria a função do hub de infraestrutura: os membros do G20 poderiam trocar experiências.

A Austrália, explicou ele, adotou um programa de reciclagem de ativos, que consiste na privatização de empresas, como de energia, por exemplo, com o compromisso de investir os recursos assim obtidos em melhores e mais eficientes instalações.

No caso das economias emergentes, no entanto, Milliner admitiu que os governos, sozinhos, não conseguirão dar conta de investir em infraestrutura. Daí, explicou, a importância das Parcerias Público-Privadas (PPPs):

– As Parcerias Público-Privadas funcionaram muito bem em diversos países, como Austrália e Reino Unido, inclusive na construção de hospitais e prisões.

 

CENÁRIO DE PREOCUPAÇÃO

O encontro dos ministros de Finanças do G20 começou este sábado em Cairns, na Austrália, em um clima de pessimismo que contrasta com a exuberância tropical da cidade. Aparentemente, nem a beleza da Grande Barreira de Corais bastará para injetar ânimo nos timoneiros das finanças globais, preocupados com a demora na recuperação da economia e com os desafios dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

O ministro do Planejamento da Austrália, Joe Hockey, baseou-se na lenta recuperação da economia global para defender os recentes cortes na área social do Orçamento. Perguntado sobre o porquê de um orçamento austero, quando a economia da Austrália vai bem – são mais de duas décadas sem recessão -, Hockey rebateu:

– Não é austeridade. É prudência.

O objetivo do novo Orçamento é fazer com que a economia australiana volte a ter superávit. Desde a crise financeira global o país vem registrando déficits, devido aos gastos do governo para proteger a atividade econômica. Hockey estima que o país volte a ter superávit dentro de cinco anos.

O ministro ressaltou a importância da presença da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, na reunião em Cairns. Yellen voou para a Austrália logo depois da reunião do Fed, que deu a entender que os juros nos EUA permanecerão baixos por um bom tempo, pois a avaliação da autoridade monetária é que o mercado de trabalho americano continua fragilizado – outro ponto pessimista para o G20.

O discurso pró-austeridade de Hockey contrasta com o do ministro de Finanças do Canada, James Oliver. Antes de partir para Cairns, Oliver disse à Bloomberg News que, tendo em vista a lenta recuperação da economia global, é preciso haver alguma flexibilidade a curto prazo.

A ênfase na austeridade como única forma de levar a economia global ao crescimento – ao assumir a presidência do G20, a Austrália propôs a meta de aumentar a expansão global em 2% nos próximos cinco anos -, no entanto, foi alvo de críticas do diretor-executivo Westpac International Bank, Huw McKay. Ressaltando o fato de a Austrália estar em uma posição privilegiada, por ser um país rico ao mesmo tempo em que é exportador de matéria-prima, afirmou:

– Em minha opinião, a política fiscal na Austrália é restrita demais.

 

REFORMA FISCAL E BANCOS

Sobre os demais pontos na agenda do G20 financeiro, o ministro Jon Hockey afirmou que espera avanços na discussão sobre mudanças nas leis sobre cobrança de impostos de multinacionais. A ideia é limitar o uso de brechas fiscais por empresas para não pagarem impostos em um determinado país, levando seu lucro para seu país de origem.

– Neste fim de semana, o G20 deve avançar em uma reforma fiscal global – afirmou o ministro na abertura da conferência O Futuro das Economias Tropicais, na Universidade James Cook, em cuja porta havia um protesto contra os cortes na educação.

Hockey disse ainda que a reunião tentará apontar maneiras de melhorar a regulação do sistema financeiro, considerado o epicentro da crise financeira global de 2008. Lembrando os resgates de bancos grandes demais para quebrar, ele afirmou:

– Bancos que quebrarem terão, no futuro, de assumir a responsabilidade.

As falhas no sistema financeiro também foram abordadas por McKay em conversa com jornalistas. Segundo o economista, essa foi uma das principais falhas da União Européia ao combater a crise:

– A Europa lidou com a crise da maneira errada, ao ajustar os orçamentos primeiro e os bancos depois.

McKay, porém, manifestou otimismo com o atual presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que considera o segundo melhor presidente de BC do mundo, depois do indiano Raghuram Rajan:

– Draghi entende os mercados financeiros.

Além de Draghi, Yellen e Rajan, participarão do encontro Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI; o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew; e o secretário geral da Ocde, Ángel Gurria.

O secretário geral da OCDE, Ángel Gurria, disse ao jornal The Australian que o G20 precisa se comprometer com a meta traçada por Jon Hockey em fevereiro, de elevar o crescimento global em 2%, o que significaria colocar us$ 2 trilhões na economia.

–  Não temos qualquer alternativa, exceto prosseguir com as reformas estruturais –  disse Gurria, referindo-se ao caminho para garantir o crescimento.

Ele ressaltou que não há mais espaço para buscar o crescimento por meio do aumento de gastos.

–  Por que alguns países estão em situação melhor agora? Porque fizeram as mudanças estruturais –  afirmou, citando como exemplo a Espanha. – É o único caminho.

 

 

Fonte: O Globo


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