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Postado em 12 de janeiro de 2016 | 16:25

Fundos de pensão injetam mais R$ 1 bilhão na Invepar

Os fundos de pensão —Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa)— injetaram R$ 1 bilhão na concessionária de infraestrutura Invepar para permitir que a empresa salde suas dívidas.

Os fundos são sócios da Invepar, com quase 25% cada um. Os outros 25% pertencem à construtora OAS, que está em recuperação judicial após ser envolvida no escândalo da Operação Lava Jato.

Os recursos foram aplicados por meio de compra de debêntures (títulos de dívida) em novembro de 2015.

Segundo apurou a Folha, os fundos ficaram, cada um, com R$ 333 milhões da emissão, que chegou a R$ 2 bilhões.

A gestora canadense Brookfield investiu R$ 500 milhões, enquanto os bancos credores da Invepar (Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, BTG) entraram com outros R$ 500 milhões.

O dinheiro foi utilizado integralmente no pagamento de dívidas. Em setembro de 2015, a concessionária devia R$ 3,97 bilhões no curto prazo, mas o volume de recursos disponível de caixa estava em apenas R$ 1,23 bilhão.

A Invepar possui ativos valiosos como o aeroporto de Guarulhos e as rodovias Raposo Tavares e BR 040, mas boa parte ainda demanda muitos investimentos e gera pouca receita. O crédito também ficou escasso depois que executivos da OAS foram presos na Lava Jato.

De janeiro a setembro de 2015, a receita da Invepar caiu 9% para R$ 3,8 bilhões, enquanto sua dívida líquida chegava a R$ 11,4 bilhões.

A relação dívida/geração de caixa, indicador de solvência, saltou de 4,7% para 6,8% em um ano.

A Invepar se endividou para vencer os leilões das concessões e contava com uma oferta de ações para levantar R$ 3 bilhões e pagar os compromissos. Mas, com a crise, não conseguiu acessar o mercado de capitais.

Os fundos precisavam socorrer a empresa, mas não podiam aumentar sua participação, que está no limite do que é permitido por seus regulamentos. A saída foi emprestar dinheiro.

O rendimento das debêntures é alto: vai de IPCA mais 11,9% a IPCA mais 14,2%, enquanto os dividendos pagos aos fundos pela Invepar estão em 11% sem descontar a inflação. O vencimento do papel é em 9 anos.

A operação, porém, provoca polêmica, porque a Invepar deu como garantia das debêntures ações de suas controladas, que representam cada uma de suas obras.

Segundo a Folha apurou, os conselheiros independentes dos fundos dizem que essas garantias não protegem seus associados, porque os fundos já são os donos das controladas.

BROOKFIELD

A Brookfield investiu nas debêntures por causa de seu interesse em comprar a fatia da OAS na Invepar. A gestora se comprometeu a oferecer R$ 1,35 bilhão no leilão a ser feito pela OAS.

O valor é o máximo que os canadenses aceitam pagar, mas representa um problema para os fundos, que declaram que sua fatia na Invepar vale R$ 2,4 bilhões e teriam que fazer um ajuste de R$ 1 bilhão em seus balanços.

Conforme a Folha apurou, o plano da Brookfield é se tornar majoritária depois que o negócio sair, por meio um aumento de capital, que não teria adesão dos fundos.

Representantes dos fundos de pensão, da Brookfield e da Invepar não comentaram.

RAIO-X INVEPAR

Quem é?

Empresa formada pela OAS e pelos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa), Petros (Petrobras)

Onde atua?

Em concessões de segmento de infraestrutura em transportes

Alguns negócios:

Participação na concessionária do aeroporto de Guarulhos, Linha Amarela, Metrô Rio, Rodovias Raposo Tavares e BR-040

Principais concorrentes:

Odebrecht TransPort e CCR

Por que está em crise?

A Invepar se endividou para vencer os leilões das concessões e contava com uma oferta de ações para levantar R$ 3 bilhões e pagar os compromissos. Com a crise, não conseguiu acessar o mercado de capitais

Números da empresa:

R$ 1,066 bilhão foi o prejuízo da companhia de janeiro a setembro de 2015

R$ 3,83 bilhões foi a receita da Invepar no período

Fonte: Folha de S. Paulo


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