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Postado em 28 de outubro de 2020 | 18:14

‘Ferrogrão será balizadora do frete em Mato Grosso’, avalia Movimento Pró-Logística

A ambiciosa política de concessões do governo federal e os efeitos práticos na redução do custo logístico para o agro foram tema do programa Direto ao Ponto deste domingo, 25. O programa prevê a aplicação de investimentos privados de quase R$ 250 bilhões até 2022 em todos os modais de transporte. Para o setor agropecuário, os projetos de maior impacto em andamento são de ferrovias e rodovias, informou o diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz.

Vaz avalia que as concessões ferroviárias são as que estão mais adiantadas. Um dos principais investimentos é a Ferrogrão, na visão da entidade. A malha vai percorrer de Sinop, em Mato Grosso, até Miritituba, no Pará, um dos trechos mais movimentados da BR-163, apontou o dirigente do Movimento Pró-Logística. No momento, esse trecho está em análise no TCU e Edeon Vaz acredita que será licitado até o primeiro quadrimestre de 2021.

“Essa ferrovia vai ser, no nosso entender, o balizamento do valor do frete de Mato Grosso e vai influenciar obviamente o resto do Brasil. Nós entendemos que a melhor alternativa é a ferrovia”, disse.

De acordo com Vaz, antes da pavimentação da BR-163 (concluída no ano passado), o valor do frete era de R$ 230 por tonelada entre Sinop e Miritituba. Depois da obra, passou para R$ 170. E, com a implantação da ferrovia, a projeção feita pelo Movimento Pró-Logística é de que o valor do frete fique em torno de R$ 100 por tonelada.

O diretor executivo também destacou outro estudo feito pelo Movimento Pró-Logística de como o escoamento da produção agropecuária pode ter uma redução significativa se transportada por ferrovia.

“Fizemos uma comparação do valor do frete rodoviário entre Sorriso e Santos, em 2009, transformamos em dólar e fizemos em 2019 o mesmo exercício. Tivemos uma redução em moeda americana de 24% do valor do frete. A ferrovia impacta no valor do frete rodoviário, isso faz com que a gente possa afirmar que ela vai reduzir custo”.

Outorga cruzadaEdeon Vaz ainda explicou que o governo tem feito algumas renovações antecipadas de concessões. Ele citou o exemplo da Malha Paulista, cujo contrato foi renovado por mais 30 anos e, na negociação, foi incluída a modalidade de outorga cruzada. Como contrapartida pelo antecipação do contrato, a concessionária irá construir o trecho da Ferronorte que liga Rondonópolis a Lucas do Rio Verde (ambos em Mato Grosso) até o porto de Santos (SP). Essa expansão fará com que a linha férrea consiga operar em sua capacidade máxima de transporte de 35 milhões de toneladas. Hoje, a malha transporta cerca de 23 milhões de toneladas, informou o diretor do Movimento Pró-Logística.

Mas, conforme o representante do setor de logística, há setores que não entendem como vantajoso. Exemplo é a oposição dos caminhoneiros que trafegam na BR-163. Segundo Vaz, os motoristas de caminhão entendem que vão perder no frete de longa distância. “Esse tipo de frete é ruim para quem paga e para quem recebe. É muito melhor você trabalhar com frete de curta distância. Ou seja, o caminhoneiro poder dormir em casa todo dia”.

Corredor logísticoEle ainda adiantou que o Movimento Pró-Logística propôs ao Ministério da Infraestrutura um modelo de concessão do corredor logístico. Seria incluir no mesmo contrato a rodovia e a hidrovia como forma de cobrir todo o transporte da carga e baratear os custos. Edeon Vaz citou o caso da BR-364 que liga Comodoro (MT) a Porto Velho (RO), o qual a concessão está em estudo pelo governo.

“Essa nossa proposta é inovadora porque, se você coloca o caminhão na estrada e ele vai para Porto Velho, ele está levando uma carga que vai para o rio Madeira. Nada mais correto você cobrar um valor menor de pedágio”, disse.

Edeon Vaz também comentou sobre outros casos de concessões rodoviárias no país. Ele mencionou o trecho entre Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins da BR-153 e Via Dutra que devem ser licitados em breve, informou. “Estamos trabalhando para que a gente tenha boas rodovias, ferrovias eficientes, para que a gente consiga reduzir o custo do frete para o setor produtivo de Mato Grosso e do Brasil”.

 

 

Fonte: Canal Rural


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