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Postado em 29 de julho de 2020 | 17:25

Este curto Boeing 747 nas cores da United é um telescópio voador e já esteve no Brasil

O “curto” Boeing 747 SP é um avião único per se, e um exemplar em específico acabou se tornando um telescópio voador que voou nas cores básicas da United Airlines, depois de voar muito pela empresa, inclusive na rota para o Brasil.

A sigla SP deste “pequeno” Jumbo significa Special Performance, ou Performance Especial em inglês. Sendo 14 metros menor que o 747-100, foi desenvolvido sob encomenda da Pan Am para voar para o Oriente Médio.

Para aumentar o seu alcance e viabilizar as rotas da Pan Am, a Boeing reduziu o Jumbo e aumentou a sua deriva (assim como a Airbus fez no A318). O jato, por ser menor e, consequentemente, mais leve, tem uma performance melhorada, daí a sigla SP, que no início era Short Body ou Corpo Curto.

No Brasil e na United

O jato, porém nunca foi encomendado pela United Airlines, que o recebeu de “tabela” ao comprar a divisão do Pacífico da Pan Am. Foram então 10 Jumbos do modelo repassados para a United, que também levou o trijato Lockheed L-1011 Tristar, como parte de uma reestruturação da Pan Am, a qual viria a falir anos depois.

Os aviões duraram bastante na United: foram 10 anos de operações. Dentre elas, a rota Los Angeles – São Paulo, sem escalas, depois seguindo para o Rio de Janeiro. Essa foi a primeira empresa americana a voar entre a Califórnia e o Brasil sem paradas, antes dela apenas a Varig e a JAL faziam a rota non-stop, e também com o Jumbo (só que do modelo -300). No vídeo acima, de autoria de Rosvalmir Delagassa e publicado no YouTube, é possível ver o modelo no Rio de Janeiro.

A rota em si durou pouco. Segundo o portal AirlineRoute, ela foi operada apenas entre outubro 1992 e abril 1993, numa única temporada, mas que foi diariamente servida com o 747SP com capacidade para até 244 passageiros, praticamente a metade do modelo 747-100 que na mesma companhia levava 450 viajantes.

Depois de 1993, a United nunca mais voou de Los Angeles para o Brasil, focando suas operações ao nosso país nos seus hubs de Nova Iorque, Washington D.C., Chicago e Houston.

Os 747SP continuaram até 1995 na United Airlines, quando foram aposentados e desmontados no deserto, com exceção de cinco aviões, dentre eles o N145UA, que voou para o Brasil na rota citada acima.

Após a saída de serviço, este Jumbo ficou estocado por dois anos, até que uma associada da NASA, a USRA – Associação de Pesquisa Universitária do Espaço, adquiriu o avião com a intenção de instalar um telescópio, com objetivo de voar alto e facilitar as observações do espaço.

O projeto foi denominado de Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha, que em inglês se transforma no acrônico SOFIA.

No começo, a própria United foi contratada para operar o jato, o que fez até 2002. Nos primeiros anos, a famosa e bela pintura cinza da United, nomeada de “Battleship Grey”, se manteve na aeronave, tendo apenas retirados os logos da companhia aérea. Veja na foto que abre essa matéria. Outro detalhe adicionado na pintura do 747 SOFIA foi uma seção preta na fuselagem, que é onde fica a grande porta lateral que se abre para utilizar o telescópio, que tem quase 3 metros de diâmetro.

O telescópio se torna tão poderoso quando aliado à altitude e consegue tirar fotos nítidas do planeta anão de Plutão, além dos remanescentes da explosão da estrela Supernova, que está a 5 anos-luz da Terra.

Desde então, o “pequeno” Jumbo tem servido à NASA, onde ganhou uma nova pintura branca nas cores da agência espacial, e mesmo aos 43 anos de idade, está firme e forte na sua função de telescópio voador.

Fonte: Aeroin


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