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Postado em 23 de agosto de 2021 | 17:11

Em Chapecó, FIESC apresenta investimentos urgentes e necessários para as rodovias federais

O Oeste de Santa Catarina e a região do Contestado dão grande contribuição ao desenvolvimento econômico do País com a geração de produtos exportáveis e a criação de emprego, mas sofrem pelas péssimas condições das rodovias federais e estaduais que cortam a região. A situação é particularmente dramática em dois corredores rodoviários fundamentais  –  a BR-282 e a BR-163.

Para discutir a crise de infraestrutura, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e o Grupo ND promoveram nesta semana, em Chapecó, o primeiro seminário da campanha SC NÃO PODE PARAR, que defende melhorias nas rodovias catarinenses. Com a presença física de empresários e lideranças econômicas, o Seminário contou com transmissão pelo YouTube da FIESC.

O lançamento da campanha ocorreu no dia 23 de julho, em Florianópolis, com foco na BR-101. Na etapa de Chapecó, o trabalho apontou as necessidades de rodovias da região do Grande Oeste e Contestado, com foco nas BRs 282 e 163, com o mote “Do jeito que está não dá”. A campanha contemplará todas as regiões do estado.

A campanha tem por objetivo chamar a atenção para a situação precária das rodovias e apresentar, por intermédio de estudos e análises, as demandas para melhorias considerando as matrizes de planejamento, investimento, política e gestão. Com isso, a intenção é mobilizar os poderes executivo, legislativo e a sociedade para buscar soluções, destacando que os efeitos comprometem a competitividade de Santa Catarina.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, salientou que Santa Catarina tem perdido competitividade e que a logística de transporte está cada vez mais difícil. “Historicamente os governos não olham para o Oeste e é uma região com grandes empresas e que precisa de investimentos para continuar crescendo. Precisamos fazer uma agenda impositiva e pressionar os governos para resolver esses gargalos que há tanto tempo assolam Santa Catarina”, frisou.

Aguiar acrescentou que em 2020 o Oeste arrecadou R$ 7,9 bilhões em impostos federais, mas esse dinheiro não tem voltado na mesma proporção em investimentos em infraestrutura e em outros setores. “O Oeste tem uma parcela de contribuição muito importante para o desenvolvimento econômico do estado. Precisamos fazer com que nossa indústria tenha custos de logística compatíveis com nossos concorrentes. A melhoria das rodovias vai contribuir para aumentar a competitividade da competente indústria catarinense”.

PRIORIDADES

O executivo da Câmara de Transporte e Logística da FIESC, Egídio Antônio Martorano, apresentou dados sobre as rodovias do estado. Destacou que não existe um planejamento integrado e sistêmico da macro logística catarinense para o curto, médio e longo prazo. A proposta da FIESC é realizar um estudo de viabilidade de um sistema intermodal de transporte para o estado, considerando todos os modais (incluindo a cabotagem e o potencial hidroviário), assim como a infraestrutura de transporte atual e projetada. “Deverá ser referência para a construção de um banco de projetos identificando oportunidades para investimentos públicos e privados no setor, além de servir como base para a avaliação e posicionamento em relação às propostas de concessões no âmbito federal e estadual”.

Martorano apresentou levantamento in loco realizado pelo consultor da FIESC engenheiro Ricardo Saporiti, demonstrando que tanto as rodovias federais como as estaduais estão com afundamento de pista, desagregação do pavimento, buracos em toda a extensão e desaparecimento da sinalização vertical e horizontal, além de outros defeitos. A frota que transita no sistema viário regional cresceu 83,4% entre 2009 e 2020 e é formada atualmente por 1,2 milhão de veículos.

A prioridade total é a recuperação das rodovias federais BR-282 e BR-163, além da estadual SC-283. No caso da BR-282, são urgentes as obras de adequação da capacidade, melhoria da segurança, eliminação de pontos críticos e 33 km de terceiras faixas no trecho entre Chapecó e São Miguel do Oeste, com investimentos de R$ 33,8 milhões. Outra prioridade de investimento para o Grande Oeste e Contestado é a continuidade das obras da BR-163, entre São Miguel do Oeste e Guaraciaba, com a inclusão do contorno de São Miguel do Oeste, e de Guaraciaba até Dionísio Cerqueira, com investimento de R$ 60,5 milhões.

Outras necessidades da região são a execução do projeto e a construção de uma nova ponte internacional sobre o rio Peperi-Guaçu, entre as cidades de Paraíso (Brasil) e San Pedro (Argentina). O valor estimado é de R$ 75 milhões. A construção da ponte sobre o Rio Uruguai na BR-163, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na altura de Itapiranga (SC) e Barra do Guarita (RS), foi outro aspecto destacado no encontro.

O diagnóstico da FIESC também mostra a necessidade de investimentos de R$ 214,3 milhões no Programa de Conservação, Restauração e Manutenção das Rodovias – BRs 282, 153, 158, 163 e 480.

HUMANIZAÇÃO

Egidio Martorano salientou que a campanha prevê a humanização das rodovias, com levantamento dos pontos críticos nas rodovias federais e estaduais. “O total de acidentes de trânsito nas rodovias federais no Grande Oeste e Contestado entre 2011 e 2020 foi de 19,6 mil, com 1.259 mortes”. O custo material dos acidentes foi de R$ 2,7 bilhões para o País e a mortes – “embora não se possa dimensionar o valor real das perdas humanas” – representaram R$ 964,8 milhões. Também apresentou um diagnóstico da situação das rodovias estaduais que cortam a região.

O vice-presidente regional oeste da FIESC, Waldemar Antônio Schmitz, observou que é cada vez mais caro e desafiador produzir no oeste e transportar para os grandes centros consumidores. “O custo do frete para levar os produtos do oeste para o litoral catarinense praticamente se iguala ao custo do container de um frete internacional. Precisamos cobrar mais, pensar em projetos coletivos e buscar negociar com os governos federal e estadual para investimentos mais vultosos para, de fato, fazer as obras de infraestrutura necessárias”.

O presidente do Grupo ND, Marcelo Corrêa Petrelli, destacou a relevância da aliança entre o poder econômico e a comunicação para fazer as mudanças acontecerem. “Isso fará a diferença para a compreensão da população para exercer a pressão devida ao poder público para as soluções necessárias. Isso é fazer comunicação do bem, propositiva para o desenvolvimento econômico, de forma prática, objetiva, consistente e real. Vamos exigir continuamente dos representantes políticos e reconhecer quando fazem um bom trabalho”. Para Petrelli, “não podemos mais terceirizar nossas reivindicações, mas assumir o protagonismo das nossas causas”.

REPRESENTATIVIDADE

A população do Grande Oeste e do Contestado é de 2,9 milhões de pessoas. O PIB em 2018 era de R$ 59,2 bilhões. A região se destaca nas exportações nacionais em diversos setores. Em 2020, foi a 1ª em exportações de suínos (52% das exportações do país), 1ª em móveis (39%), 2ª em madeiras (32%) e 2ª em frangos (22%). A região também é destaque na produção nacional, sendo o 5º polo da indústria de madeira, 6º polo da indústria de móveis, 6º polo da indústria de abate e produção de carne, 6º polo da indústria de lácteos, 7º polo da indústria de embalagens de papel, 9º polo da indústria de adubos e fertilizantes e 10º polo da indústria de embalagens de material plástico.

Apoio: A campanha SC Não Pode Parar tem o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Portonave, Porto de Itapoá, Multilog, Aurora Alimentos e Pamplona Alimentos e está aberta a participação de outras empresas e organizações catarinenses para amplificar a repercussão da iniciativa.

 Fonte: Fiesc

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