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Postado em 16 de abril de 2020 | 18:03

Efeitos da Covid-19 derrubam exportação de industrializados de MS em 5,2% no ano

Os efeitos da pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19) sobre a economia de Mato Grosso do Sul já começaram a ser contabilizados e o primeiro indicador do setor industrial traz uma queda considerável na receita. Trata-se das exportações de produtos industrializados, cuja a receita teve redução de 5,2% no acumulado de janeiro a março deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, diminuindo de US$ 904,48 milhões para US$ 857,43 milhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems.

Na comparação do mês de março deste ano com março de 2019, a queda é ainda maior: 22,5%, despencando de US$ 327,93 milhões para US$ 254,27 milhões. De acordo com o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, é importante ressaltar que o desempenho observado foi diretamente influenciado pela diminuição ocorrida nas exportações de celulose para o mercado chinês no mês de março.

“Essa redução é resultado da adoção de medidas de restrição a circulação e concentração de pessoas no naquele país por conta da pandemia da Covid-19, ocasionando uma forte redução do nível de atividade econômica”, ressaltou o economista, completando que, em valores, as compras chinesas da celulose sul-mato-grossense apresentaram queda de US$ 84,9 milhões no comparativo de março 2020 com igual mês de 2019, indicando uma retração de 53%.

“Portanto, na medida em que as restrições forem diminuindo e que a atividade seja retomada e, claro, que esse quadro se sustente nos próximos meses, é muito provável que as vendas se recuperem e voltem a crescer”, projetou Ezequiel Resende, ressaltando que, se considerarmos que há uma grande possibilidade de aumentar a demanda por papéis sanitários por conta da mudança de hábitos em razão da atual pandemia, é possível que essa tendência favoreça o mercado para a celulose sul-mato-grossense, o que poderia garantir uma melhora nos próximos trimestres.

“Enfim, parece que as maiores incertezas no momento não se concentram sobre a demanda pela celulose, mas nas questões relativas à logística para a chegada da matéria-prima às fábricas e saída do produto para o mercado”, declarou o economista, pontuando que, apesar da diminuição das exportações de industrializados, quanto à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 57% de toda a receita das vendas ao exterior do Estado, enquanto no acumulado do ano essa participação está em 78%.

Grupos

Os grupos “Celulose e Papel” e “Complexo Frigorífico” continuam sendo responsáveis por 80% da receita de exportações do setor industrial, sendo 51% para o primeiro grupo e 29% para o segundo grupo, enquanto logo em seguida vem o grupo “Óleos Vegetais” e “Extrativo Mineral”, com 9% e 5%, respectivamente. No caso do grupo “Celulose e Papel”, a receita no período avaliado alcançou US$ 439,18 milhões, uma queda de 22% em relação ao período de janeiro a março de 2019, que foram obtidos quase que na totalidade com a venda da celulose (US$ 430,92 milhões).

Os principais compradores foram China, com US$ 283,59 milhões, Itália, com US$ 30,89 milhões, Coreia do Sul, com US$ 26,64 milhões, Estados Unidos, com US$ 24,44 milhões, Reino Unido, com US$ 10,63 milhões, Holanda, com US$ 9,51 milhões, França, com US$ 9,24 milhões, Emirados Árabes Unidos, com US$ 6,58 milhões, e Argentina, com US$ 4,90 milhões. Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida de janeiro a março foi de US$ 248,33 milhões, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2019, sendo que 41% do total alcançado é oriundo das carnes desossadas congeladas de bovino, que totalizaram US$ 100,75 milhões.

Os principais compradores foram Hong Kong, com US$ 40,22 milhões, Chile, com US$ 34,52 milhões, China, com US$ 29,08 milhões, Arábia Saudita, com US$ 16 milhões, Emirados Árabes Unidos, com US$ 15,45 milhões, Japão, com US$ 12,94 milhões, Israel, com US$ 11,41 milhões, Uruguai, com US$ 11,13 milhões, Filipinas, com US$ 8,44 milhões, e Egito, com US$ 7,60 milhões. No grupo “Óleos Vegetais”, a receita conseguida de janeiro a março foi de US$ 74,87 milhões, um aumento de 57% em relação ao mesmo período de 2019, sendo que 68% é oriundo dos bagaços e resíduos sólidos da extração do óleo de soja, somando US$ 50,82 milhões.

Os principais compradores foram Holanda, com US$ 19,23 milhões, Indonésia, com US$ 16,30 milhões, Tailândia, com US$ 11,34 milhões, Alemanha, com US$ 10,38 milhões, Dinamarca, com US$ 8,39 milhões, e Índia, com US$ 4,89 milhões. O grupo “Extrativo Mineral” obteve receita de US$ 41,89 milhões de janeiro a março, um aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2019, sendo que 78% é oriundo de minérios de ferro e seus concentrados, somando US$ 32,52 milhões.

Os principais compradores foram Uruguai, com US$ 19,39 milhões, Argentina, com US$ 17,70 milhões, e Cingapura, com US$ 4,12 milhões. Também registram aumento os grupos “Açúcar e Etanol”, com receita de US$ 10,52 milhões, aumento de 83% no período avaliado, e “Alimentos e Bebidas”, com receita de US$ 9,29 milhões, aumento de 96% de janeiro a março deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Fonte: O Pantaneiro


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