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Postado em 30 de julho de 2020 | 17:45

COVID foi apenas a gota d’água para a LATAM Argentina fechar

O coronavírus teria sido apenas a gota d’água para saída da LATAM na Argentina, onde a empresa aérea tinha grande presença. Em uma reportagem citando as empresas que estão deixando o país, a Bloomberg pontua diversos fatores que a LATAM enfrentou e pesaram na decisão de encerrar as operações no país.

“A Argentina enfrenta um êxodo de multinacionais que concluíram que fazer negócio na terceira maior economia da América Latina é muito complicado e não-rentável, mesmo sem a pandemia”, afirma Patrick Gillespie, repórter da Bloomberg.

Citando sindicatos fortes, política volátil, controle de preços e câmbio, e outras formas de intervencionismo do estado, o veículo se refere à Argentina como “país sul-americano pronto para a crise”.

68 tons de cinza

A LATAM Argentina fechou as portas no dia 17 de junho passado no país, onde empregava 1.700 pessoas e estava havia mais de 15 anos, desde a época da LAN Argentina. À época. a empresa citou 68 motivos para ter deixado o país, maioria relacionados a relações com os empregados e sindicatos, e alguns deles bizarros.

Segundo carta enviada pela LATAM Argentina ao Ministério do Trabalho, os custos no país são 41% maiores, com produtividade 30% menor do que todos os 26 países em que a empresa opera, incluindo o Brasil.

“Conflitos constantes na operação atormentada por greves causaram perdas significativas”, disse a LATAM em nota enviada ao Ministério.

A Bloomberg ainda cita que a American Airlines e a Delta cancelaram rotas permanentemente para o país, enquanto a fabricante de carros Honda fechou sua fábrica em maio, num ato que foi seguido pela Volkswagen e Ford, que desistiram de produzir picapes na Argentina.

Embargada e sem poder demitir

Recentemente, falamos sobre um protesto de empregados da LATAM Argentina contra a situação que se encontram, já que existe um impasse para o encerramento da empresa em definitivo. Trata-se de um decreto na Argentina, vigente desde o começo da pandemia, que impede demissões, o qual foi prorrogado em mais dois meses, terminando só em setembro. Com isso, a LATAM não pode desligar seus funcionários, e inclusive recorreu à justiça para determinar um plano que poderia garantir o direito de demissão, o que foi negado até o momento.

Além disso, a empresa teve $3 milhões de dólares bloqueados pela justiça local após denúncia feita pela Associação de Pilotos de Linha Aérea, a APLA.

Segundo a APLA, e por conta da lei que citamos acima, a LATAM não paga os salários dos funcionários desde maio. E sem o salário dos funcionários, as contribuições sindicais dos tripulantes não estão sendo depositadas. Com isso, a APLA foi até a justiça e pediu o bloqueio do dinheiro referente ao pagamento das contribuições sindicais de todos os tripulantes da empresa. A justificativa da APLA é que a empresa está na iminência de deixar o país.

Com o travamento de demissões, a empresa briga para poder oferecer planos de demissões voluntárias, que teriam custos menores, a exemplo do que está sendo adotado por empresas mundo a fora, inclusive no Brasil.

Caso demita algum funcionário antes de setembro, a LATAM terá que pagar o dobro da multa rescisória. Para fugir desta situação a empresa entrou com um pedido de PPC –Procedimiento Preventivo de Crisis, que se equivale ao pedido de falência no Brasil, e evitaria as multas causadas pelo decreto que proíbe demissões.

 

 

Fonte: Aeroin


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