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Postado em 6 de julho de 2021 | 17:10

Com IPO, CSN Cimentos pretende acelerar expansão

Com um plano de crescimento agressivo, que consiste em aquisições e novos projetos, a CSN Cimentos planeja ofertar suas ações no B3 no início de agosto. O IPO da cimenteira, com o qual pretende levantar R $ 3 bilhões, será crucial na estratégia da empresa, parte do grupo liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch.

A fábrica de cimento nasceu da CSN Steel, âncora dos negócios da Steinbruch, que vão desde a siderurgia, mineração, logística portuária e ferroviária até energia e outros ativos. Em fevereiro, Steinbruch fez o IPO da mineração CSN (minério de ferro), e então viu na bolsa uma fonte de recursos para financiar seus projetos.

A primeira fábrica de cimento foi instalada em 2009, em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, ao lado da siderúrgica, e a segunda em 2015, no município de Arcos, em Minas Gerais, onde detém reservas de calcário, que é a matéria-prima do produto. No ano passado, vendeu 4 milhões de toneladas, obtendo 14% do total da região Sudeste, segundo informações do prospecto do IPO.

A CSN Cimentos pretende ser a terceira ou segunda do setor no país em alguns anos. Na semana passada, deu o primeiro passo ao adquirir a Elizabeth Cimentos, localizada na Paraíba, e colocar o pé no mercado de cimento do Nordeste, o segundo maior do país. Pagou R $ 1,08 bilhão pelo ativo, que tem capacidade para movimentar 1,3 milhão de toneladas por ano e detém 26% das vendas no estado.

Com a compra, a CSN acrescentou 6 milhões de toneladas de capacidade de produção por ano e passou para a quinta posição no setor nesse quesito. A expectativa é que o Cade, órgão regulador antitruste, aprove o negócio em 45 dias.

The growth projects listed in the stock offering will require investments of R$6.2 billion by 2028 — if all of them are carried out. These are factories designed for the states of Sergipe and Ceará (Northeast), Pará (North) and Paraná (South). This way, the company intends to spread its activity in four Brazilian regions, with all plants under the age of 20 years. “The idea is to be the most competitive cement maker, in efficiency, quality and prices,” says a source.

Porém, nesse curso de oito anos, a CSN poderá realizar um ou outro projeto caso sejam adquiridos ativos – no momento, há um pacote de 10 usinas à venda pela LafargeHolcim, que é a terceira do país e possui tomou a decisão de sair. Os ativos estão localizados nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, sendo um deles no Estado da Paraíba. A CSN já anunciou que fará uma oferta de compra.

Do pacote de investimentos, incluindo a aquisição da Elizabeth, o plano é usar os R $ 3 bilhões do IPO e os R $ 4 bilhões divididos entre dívida e geração de caixa. A meta é ter uma alavancagem financeira de 2 vezes a relação dívida líquida / EBITDA, segundo fonte que segue de perto o planejamento estratégico da CSN.

A empresa projeta geração de Ebitda na faixa de R $ 1,5 bilhão, a partir de vendas de cerca de 5,7 milhões de toneladas, para 2022. Para isso, há melhor mix de produtos, melhores preços, consumo crescendo 6% ao ano e ganho de market share.

A CSN informa no prospecto que já possui as licenças ambientais e de instalação das fábricas de Sergipe (em Maruim) e Paraná (Cerro Azul). A empresa adiantou ainda que o equipamento para dois já é adquirido há vários anos e está armazenado no porto de Antuérpia, na Holanda.

A ocupação do mercado com Elizabeth abrange os Estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, podendo atingir intervalos na Bahia e Ceará. A unidade de Sergipe vai permitir chegar a todo o sul da região Nordeste, de acordo com a avaliação. Já a unidade paranaense é voltada para a região Sul, onde predominam os rivais Votorantim, InterCement, Itambé e Supremo Cecil.

As duas usinas, que agregariam 6 milhões de toneladas à CSN, devem entrar em operação até o final de 2024. A expansão da Arcos, embora rápida, dependeria de eventual nova aquisição de ativos – no caso, os que já estão à venda pela Lafarge. A fábrica de Arcos já atende bem o mercado de cimento de Minas Gerais e de outros estados.

Nesse cenário, a competição será acirrada, já que são 22 fabricantes após a incorporação da Elizabeth pela CSN, que tem três concorrentes no estado: Lafarge, InterCement e Buzzi / Brennand. Destes, cerca de dez são pequenos e possuem operações regionalizadas.

Os principais rivais, além dos três acima, são Votorantim (líder de mercado), Mizu, Apodi, Supremo Cecil, Ciplan e Itambé. A Cimento Tupi está em recuperação judicial e o grupo João Santos, em crise financeira e societária (gestão familiar), opera atualmente apenas duas ou três das dez fábricas que possuía.

Para a CSN, a arma será a eficiência de custos de suas fábricas, por serem mais modernas: para Sergipe, projeta um custo 32% menor que a média do país. Em Elizabeth, 2015, o índice chega a 25% abaixo. A empresa quer manter a taxa de vendas em 73% para lojas de materiais e home centers e em apenas 20% a 25% para distribuidores.

A aposta é que o setor de infraestrutura do país gere mais obras e que o ritmo de lançamentos imobiliários e a demanda por autoconstrução e reforma de moradias sejam mantidos.

Para chegar à Bolsa, os cronogramas da CSN, segundo fontes, são: no dia 16, a definição da faixa de preço das ações; no dia 19, início dos encontros com investidores do Brasil e do exterior; no dia 5 de agosto, a precificação (valor do estoque); e no dia 9, o início das negociações na B3.

 

 

 

Fonte: O Petróleo


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