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Postado em 22 de maio de 2019 | 18:39

Brasil dá sinais de abertura comercial em meio a protecionismo no mundo

Enquanto as principais economias do mundo adotam medidas protecionistas, o Brasil começa a dar sinais de uma maior abertura comercial e pretende reduzir tarifas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou na última sexta-feira (10) que o governo pretende fazer uma redução gradual de 10% nas tarifas de importação em quatro anos.

Para especialistas, a medida, se concretizada, será importante para acelerar o processo de modernização da indústria nacional e estimular uma redução de preços. Mas ressalvam que esses ganhos seriam potencializados por meio de uma agenda de produtividade mais ampla que deveria incluir: reforma tributária, redução de gargalos na infraestrutura e qualificação da mão de obra.

“A abertura da economia tem que ser exponencial, não pode ser linear senão você quebra a indústria brasileira. Vamos baixar tarifa média em 10%; sendo 1% no primeiro ano, o dobro no segundo, o triplo no terceiro e o quádruplo no último ano”, disse Guedes, durante um evento no Rio de Janeiro.O professor de economia da FAAP, Orlando Assunção Fernandes, afirma que Guedes acerta em propor uma redução gradual de alíquotas.

“Isso demonstra que os equívocos cometidos nos anos de 1990 não serão repetidos. Naquele momento, o governo Collor cortou pela metade o imposto de importação em dois anos, o que fez com que muitas empresas entrassem em concordata e com que o nível de desemprego aumentasse”, lembra Fernandes.

“Até houve uma modernização, mas não se resolveu o problema dos preços. Contudo, uma diminuição de alíquotas de 10% em quatro anos é razoável e menos agressiva do que aconteceu nos anos de 1990”, acrescenta o professor.

O pesquisador dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, reforça que a gradualidade é importante para que setores industriais menos competitivos internacionalmente não sejam muito prejudicados, como é o caso de têxteis e calçados.Engenharia reversa Apesar de sua ressalva, Rochlin afirma que a abertura comercial é bem-vinda.

“O crescimento da importação de bens de capital, por exemplo, pode estimular a engenharia reversa, abrindo oportunidades para a modernização da indústria deste setor”, destaca o pesquisador da FGV. Engenharia reversa consiste, basicamente, em desmontar uma máquina, por exemplo, para entender como ela funciona.

O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, analisa que o processo de abertura comercial será importante para que o Brasil ganhe acesso às novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas e utilizadas pelas indústrias no mundo, como a inteligência artificial, digitalização, internet das coisas, entre outras. “O Brasil tem o grande desafio pela frente de incorporar os novos padrões tecnológicos que já estão em uso pelo mundo”, diz Cagnin.

Por outro lado, o economista do Iedi pondera que o encaminhamento de uma agenda mais ampla de produtividade potencializaria os efeitos positivos de uma abertura comercial. Dentro desse contexto, ele elenca como fundamentais uma reforma tributária que unifique alíquotas e uma dinamização dos projetos na área de infraestrutura.

Fernandes lembra que é preciso ainda investir na qualidade da mão de obra como forma de elevar a produtividade do trabalho e preparar as pessoas para lidar com as novas tecnologias.A assessora econômica da FecomercioSP, Kelly Carvalho, afirma, por sua vez, que a entidade também vê como positiva uma abertura comercial gradual.

Segundo ela, as empresas de comércio que trabalham com produtos importados poderão ter a oportunidade de melhorarem preços e elevar as margens de lucro e faturamento.Na contramão, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou na última sexta-feira (10) o aumento de tarifas sobre mais US$ 200 bilhões em produtos da China, de 10% para 25%. Pequim tem ameaçado retaliar a medida tarifária dos EUA, mas ainda não está claro que ação poderá tomar.

Fonte: DCI


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