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Postado em 19 de maio de 2020 | 17:35

Armazenagem pode “estrangular safra” brasileira

Como está o momento da armazenagem agrícola no Brasil? Que fatores históricos contribuíram para essa realidade atual? Como o setor precisa avançar para suprir as necessidades atuais e futuras?  Quais são os principais entraves e desafios enfrentados? O que pode ser feito em termos de políticas públicas para resolver os gargalos? Que tecnologias já estão disponíveis e se destacam? Que soluções tecnológicas ainda precisam ser desenvolvidas? Qual é o futuro de longo prazo da armazenagem agrícola?

As perguntas são muitas e as respostas são essenciais. Por isso o Portal Agrolink inicia hoje uma série de reportagens abordando um dos maiores gargalos do setor produtivo agrícola brasileiro: a armazenagem. Para iniciar, conversamos com Stelito Reis Neto, superintendente de Armazenagem da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“A safra comercializada em 2019 foi a maior de todos os tempos (cerca de 242 milhões de toneladas) e o país exportou impressionantes 41 milhões de toneladas de milho e 74 milhões de toneladas de soja1. Desde a safra 2016/17 temos, repetidamente, volumes sensivelmente superiores a 200 milhões de toneladas produzidas, tudo isso impulsionado por conjunturas externas, que elevaram a demanda pelos produtos brasileiros no mercado internacional, tornando os preços dos produtos agrícolas interessantes ao produtor rural, além do aumento da demanda interna, em especial, o etanol de milho. Diante deste cenário e considerando que a armazenagem é um elo obrigatório entre a produção e o consumo, existe a preocupação de saber se a estrutura armazenadora do país tem acompanhado essa produção”, expressa ele.

Segundo o Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras, entre 1982 e 2000, a capacidade estática brasileira era superior à produção de grãos. Em 2001, houve uma inversão. A produção ultrapassou essa capacidade e continuou a crescer em uma proporção maior. Entre as safras de 2001/02 até 2018/19, enquanto a produção de grãos cresceu 140%, a capacidade estática aumentou apenas 87%.

“Esse menor crescimento da infraestrutura de armazenagem tem causa multifatorial como a questão de engenharia, visto que Unidades Armazenadoras são estruturas complexas e caras de se construir, de forma que, em geral, é melhor esperar que a necessidade de aumentar a capacidade estática se consolide, para depois fazer o investimento”, explica o especialista da Conab.

“Outro ponto está relacionado às dificuldades logísticas do Brasil, nas quais a armazenagem faz parte. A questão dos modos de transporte no país sempre se mostrou tão grave que o maior esforço vem sendo direcionados a essa parte do processo de escoamento, até porque, como já informado, antes de 2001 sobrava espaço para o armazenamento de grãos. O momento atual merece que a armazenagem no Brasil seja vista como o próximo fator logístico a ser impulsionado, sob pena de ela passar a estrangular o escoamento da safra nacional”, conclui.

 

Fonte: Agrolink


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