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Postado em 29 de junho de 2020 | 18:52

Antiga Ferrovia Leopoldina celebra aniversário de 110 anos

Uma das mais lindas ferrovias do país completa neste sábado (27) 110 anos de criação, mas sem muito a comemorar. Há três anos a linha férrea foi desativada e está completamente abandonada, com trechos depredados ou deteriorados pelo tempo.

A Ferrovia Vitória x Rio de Janeiro, a antiga Leopoldina, foi inaugurada neste mesmo dia em 1910, numa cerimônia que contou com a presença do então presidente da República, Nilo Peçanha.

A notícia positiva é que agora o Estado conta com uma regional da ONG Amigos do Trem, instituição que vem realizando ações no país de revitalização da malha férrea.

A ONG defende a manutenção e reativação da antiga ferrovia que percorre a região Serrana do Estado e municípios sulinos, como Cachoeiro de Itapemirim, Muqui e Mimoso do Sul.

Na Região Serrana a ferrovia passa por trechos com muito verde, margeia rios, vales e montes, atravessa túneis e pontilhões escavados no maciço da montanha, uma obra de engenharia surpreendente para a época.

O pesquisador e apaixonado pela ferrovia, Paulo Henrique Thiengo, lembra que a via férrea trouxe grande desenvolvimento para a capital do Estado que, à época e até os anos 40, possuía apenas metade dos habitantes de Cachoeiro.

O município sulino na época, afirmou Paulo Thiengo, era bem, muito mais desenvolvido do que Vitória e exportava suas riquezas, principalmente o café, via porto de Barra do Itapemirim, então o mais movimentado do Estado.

Apaixonado pela via, Paulo Thiengo tem roçado sozinho trechos da linha férrea na localidade de Cobiça, em Cachoeiro de Itapemirim, e que estavam tomados pelo matagal.

Com relação à Ferrovia Litorânea, projeto que pretende abrir via férrea pelo Litoral Sul passando por Presidente Kennedy até o Rio de Janeiro, Paulo Thiengo afirma que a ONG Amigos do Trem não é contra a outra linha férrea, mas defende a interligação das duas.

Ele disse que possui raros originais de dois projetos de variantes para desviar os trilhos da região serrana, por conta das condições técnicas da via. O primeiro é de 1965 e, o segundo, de 1974.

Existiu um terceiro, elaborado pela então Ferrovia Centro-Atlântica S.A., que recebeu a concessão deste trecho em 1996, visando ligar Cobiça da Leopoldina com a EFVM em Flexal, Cariacica, mas que não saiu do papel, apesar de ter conseguido as licenças ambientais e até realizadas as audiências públicas.

Ele defende a manutenção da antiga ferrovia no trecho entre Ururaí (Campos) a Vitória, interligada à nova naquela localidade, em Cobiça e em Viana.

Assim, explicou, a antiga ferrovia serviria para atrair novas empresas para o interior de Cachoeiro e região, com a possibilidade de criação aqui de um Porto Seco, com aduana, além de servir às empresas já existentes e conectadas à malha ferroviária, como a fábrica de cimento.

Outros municípios também seriam beneficiados, como Campos dos Goytacazes, que poderia desenvolver a região junto à divisa com o ES.

No trecho urbano, em Cariacica e Vila Velha, sugere a implantação de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) para atender o transporte urbano.

Em toda a extensão do trecho, indica a implantação de Trens Unidade Diesel (TUD), como transporte regional de passageiros e turistas.

Isso seria fundamental para a região serrana, por conta da proximidade com a Grande Vitória, e incrementaria a economia do sul do Estado, ao permitir a circulação de bens, serviços e consumidores entre os municípios da região, fazendo um contraponto ao desenvolvimento que ocorrerá entre os municípios litorâneos com a nova ferrovia.

 

 

Fonte: Revista Ferroviária

 


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