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Postado em 13 de setembro de 2017 | 18:27

Temer foi beneficiário de propina da JBS para alterar regras em exportação de carne, diz Funaro

O presidente Michel Temer foi beneficiário de propina paga pela JBS para obtenção de mudanças de regras no Ministério da Agricultura que favoreceram o frigorífico, segundo afirmação do doleiro Lucio Funaro no anexo 8 de sua delação premiada. O então ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB), hoje vice-governador de Minas Gerais, recebeu R$ 3 milhões em propina, e outros R$ 1,5 milhão se destinaram ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Temer e Henrique (Eduardo) Alves (ex-presidente da Câmara) receberam parte dessa propina”, disse o delator. “Essa distribuição foi que mantinha a força política de Cunha”, continuou.

Uma das medidas aprovadas dentro do Ministério da Agricultura, em fevereiro de 2014, proíbe entrepostos de carnes e derivados de exportarem despojos de boi, autorizando somente frigoríficos habilitados a exportar, como consta na delação. “É um pedaço do gado que não é utilizado no Brasil, mas que na China e em alguns países asiáticos eles comem”, explicou Funaro.

A outra medida de interesse da JBS foi a proibição do uso de uma substância chamada Ivermectina, a partir de maio de 2014. “Quando aplicada ao gado, causa problemas em um teste que é feito na carne que é exportada, a qual assim é rejeitada e causa um prejuízo muito grande para o frigorífico”, detalhou o operador.

O delator afirmou que a operação para mudar regras do Ministério da Agricultura “precisou da ajuda” do então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT). “Quem solicitou essa ajuda foi Joesley (Batista, um dos donos do grupo J&F). Antônio Andrade cuidou do trâmite dentro do ministério, mas ele sozinho não conseguiu”, disse.

Na pasta de Agricultura, a “interface” do esquema cabia a um funcionário chamado Rodrigo Figueiredo, por indicação de Cunha, conforme o delator. A propina paga aos beneficiários finais foi creditada primeiro na conta interna de Funaro na JBS, segundo a delação. O operador do hoje vice-governador de Minas foi Mateus Moura; de Cunha, “pessoa de sua confiança chamada Altair”. O doleiro entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) como elementos comprobatórios anotações dos créditos “na planilha do Joesley”.

Funaro afirmou ainda que Temer foi o responsável por indicar o antecessor de Antônio Andrade, Wagner Rossi, também do PMDB e “amigo pessoal” do presidente. “Wagner tinha negócios junto com a JBS no qual Michel Temer foi beneficiado (sic)”, registra o anexo 8. Esses negócios envolviam, conforme a delação, facilitação em inspeções, obtenção de licenças para exportação, autorização para plantas exportarem e até mesmo uma não fiscalização da JBS, com “maior rigidez nas inspeções em outros frigoríficos”.

“Joesley sempre lhe falava que Wagner Rossi estava à frente do ministério, mas que se reportava a Temer”, disse o doleiro. Com a possibilidade mudança no comando da pasta, foi ofertado a Joesley influenciar na nova nomeação, segundo o delator, a partir de intermediação de Cunha.

Coube ao doleiro, orientado por Cunha, questionar se Joesley tinha interesse no cargo. “O colaborador foi até Joesley e falou: ‘Olha, eu tenho chance de indicar o ministro da Agricultura. Você tem interesse?’ Joesley tinha interesse e indagou quem seria”, registra o anexo. O dono da J&F foi informado, então, que seria Antônio Andrade e que ele era indicação de Cunha e da bancada do PMDB de Minas Gerais na Câmara.

Joesley teria tentado “atravessar” Cunha, com pedidos diretos dentro do ministério, o que gerou atritos com o então deputado. O próprio Funaro teria escrito mensagem a Joesley chamando-o de “moleque”, como contou na delação. “Nós estamos aqui para trabalhar em conjunto”, teria dito Cunha ao executivo. “Assim Joesley viu que não iria conseguir acesso com o ministro sem a ajuda de Cunha.”

Fonte: O Globo

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