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Postado em 14 de abril de 2020 | 19:07

Ricardo Salles demite analista que foi contra exportação de madeira sem autorização

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles demitiu um analista do governo que se opôs ao relaxamento da revisão ambiental da exportação de madeira. A demissão foi anunciada em uma nota oficial.

Em março, a Reuters mostrou em reportagem que o Brasil exportou milhares de carregamentos de madeira da Amazônia durante o último ano sem a autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Depois que os carregamentos foram descobertos, em meio à controvérsia sobre o desmatamento da floresta amazônica sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Ibama anulou uma regra que exigia a autorização da agência para todos os carregamentos de madeira.

O fim da regra contrariou um grupo de analistas liderados por André Sócrates de Almeida Teixeira, coordenador-geral para o monitoramento do uso da biodiversidade e comércio exterior.

De acordo com a nota publicada no Diário Oficial, Salles removeu Teixeira de seu posto e o substituiu por Rafael Freire de Macêdo, que trabalhava em uma área relacionada.

Teixeira se negou a comentar o assunto e Macêdo não respondeu ao pedido por um comentário.

Segundo o Ibama, a troca faz parte da rotina e está dentro das regras. O ministro do Meio Ambiente não respondeu ao pedido por um comentário.

Uma fonte que trabalha no setor e que preferiu não se identificar disse à Reuters que a demissão de Teixeira aconteceu como uma retaliação por sua divergência.

“Foi mais uma mudança política para indicar alguém que é mais flexível… para aliviar os controles e facilitar as exportações”, disse a fonte.

O Ibama disse anteriormente que carregamentos de madeira devem receber liberação de exportação da Receita Federal, que só concede a autorização após cruzar as informações com o sistema que verifica a origem da madeira.

Assim, o Ibama ainda pode realizar inspeções na madeira destinada à exportação.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e sua preservação é considerada vital para conter as mudanças climáticas devido à quantidade de gases do efeito estufa que ela é capaz de absorver.

A destruição da Amazônia teve crescimento no último ano, provocando reações no mundo todo, com alguns ambientalistas e líderes culpando as políticas de Bolsonaro por encorajar madeireiros ilegais, fazendeiros e negociadores.

Bolsonaro diz que a pobreza na Amazônia é a culpada pelas transações ilegais e que ele é injustamente demonizado.

Fonte: Folha de S. Paulo


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