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Postado em 13 de fevereiro de 2017 | 17:38

Montadoras apostam em acordos e Trump para aumentar produção

O Egito tem hoje cem carros produzidos no Rio circulando em suas ruas. Os veículos saíram da cidade de Porto Real no segundo semestre, em um acordo de exportação feito pelo grupo PSA Peugeot Citroën. A empresa foi uma das que enxergaram que a saída para a crise passa pelos portos.

“Mais de 90% de nossas exportações vão para a Argentina, mas buscamos novos destinos na América Latina e em outros continentes”, diz Fabricio Biondo, vice-presidente de relações externas do grupo PSA. A empresa enviou para o exterior 50% dos 84 mil veículos que produziu no ano passado.

O crescimento de 24,7% das exportações em unidades em comparação a 2015 foi um dos poucos dados positivos do setor automotivo brasileiro no ano passado (as vendas caíram 20%, e a produção, 11% ), e há expectativas de avanço.

Um novo acordo comercial está perto de ser fechado, com Peru e Colômbia. Mas os sonhos da Anfavea (associação que representa as montadoras) passam por México –segundo maior parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, atrás da Argentina– e União Europeia.

“A questão do México [com os EUA] preocupa a todo o mundo, precisamos entender como as relações serão afetadas”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea.

A entidade aguarda os desdobramentos da política de Donald Trump sobre barreiras aos produtos mexicanos –77% dos carros produzidos naquele país em 2016 foram enviados aos EUA, segundo a Amia (associação das montadoras instaladas no México).

Em contrapartida, o México compra grande quantidade de carros usados provenientes dos Estados Unidos. É aí que surge uma oportunidade para o Brasil.

Analistas da Anfavea acreditam que, caso haja uma mudança significativa nas relações comerciais entre mexicanos e norte-americanos, a indústria brasileira poderá abastecer o México com carros zero-quilômetro a preço atraente. Há demanda por modelos de baixo custo naquele mercado.

Com a queda nas vendas internas, o Brasil passou a ficar bem abaixo do limite atual em cotas –US$ 1,6 bilhão– estabelecido pelo acordo de livre-comércio com o México. O tratado atual vai até 2019, e a renegociação terá o fator Trump a ser contemplado.

PARCERIA MAIS DISTANTE

A parceria com a UE é mais distante: faz parte de uma complexa negociação em que o agronegócio é o principal ponto. Porém, a indústria automotiva se esforça para acelerar as conversas entre governos, devido à instalação de novas fábricas no Brasil.

Hoje, grande parte dos componentes de modelos de luxo montados no Brasil vem da Europa. É o que ocorre com BMW, Mercedes-Benz (divisão de carros de passeio) e Jaguar Land Rover.

Caso um acordo seja selado com a UE, será aberta a possibilidade de redução tributária sobre componentes e veículos importados, além de aberta uma janela para a exportação de automóveis produzidos por marcas premium no mercado nacional, que seguem padrões globais.

Quanto às empresas consideradas generalistas, como Volkswagen, Ford, General Motors, Fiat e PSA, os planos são apostar na recuperação do mercado interno sem ousar. Nenhuma trabalha com expectativa de retomada superior aos 4% esperados pela Anfavea em 2017.

“Não vemos solução em curto e médio prazo para o mercado interno. É uma crise diferente das que tivemos nos últimos anos, com tendência de crescimento muito tímida, de longo prazo. Por isso a exportação cresceu tanto, para termos capacidade de manter um mínimo de produção possível”, afirma Biondo, da PSA.

Fonte: Folha de S. Paulo

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