-->
Home | Highlights | Mexicano criou esquema para esconder cargas de cocaína em peças de granito no RS
Postado em 10 de outubro de 2017 | 18:11

Mexicano criou esquema para esconder cargas de cocaína em peças de granito no RS

Funcionava no Rio Grande do Sul, com comando a partir de Imbé, no Litoral Norte, uma das engrenagens fundamentais na logística criada por traficantes para o envio de cargas de cocaína à Europa a partir de portos catarinenses, revelada na manhã desta terça-feira (10), com a Operação Oceano Branco, desencadeada pela Polícia Federal no Estado vizinho e em outras cinco unidades da federação. O mexicano Manoel Alfonso era o alvo das investigações em solo gaúcho e atualmente está foragido, com o nome listado entre os procurados da Interpol.

A estimativa da PF é de que pelo menos quatro toneladas de cocaína tenham partido do Estado, escondidas dentro dos blocos, em direção ao porto de Itajaí entre o início de 2012 e maio de 2016, quando uma carga de 811kg da droga foi descoberta em uma dessas peças durante uma ação da Receita Federal.

A polícia acredita que o mexicano estaria atuando no Rio Grande do Sul, sob a fachada de exportador de pedras de granito, desde o final de 2011, mas passagens dele pelo país já são registradas desde 2008. Conforme o delegado Fábio Mertens, duas empresas foram criadas legalmente para darem início às exportações de granito.
— Este mexicano criou um método para esconder a droga nos blocos de granito que eram furados depois de comprados em mineradoras locais. Depois de desenvolver essa técnica e deixar um responsável por manter o esquema, ele teria se afastado do Rio Grande do Sul — explica o delegado que comandou a operação.

Após comprar peças de granito, as empresas alugavam galpões em Taquara, Glorinha e outros municípios próximos da região litorânea, e ali “recheavam” as pedras com a droga. Só então este núcleo investigado pela Polícia Federal fazia o contato com empresas que agora são investigadas pela Operação Oceano Branco, com atuação na região de Itajaí-Navegantes, para exportação da droga à Europa.
Dois mandados de busca e um de prisão preventiva foram cumpridos na manhã desta terça em Imbé. O alvo, que seria o braço direito do mexicano, não foi encontrado. Em duas casas de familiares, no entanto, a PF encontrou documentos no nome falso que ele utilizava para operar o esquema. A identidade do suspeito não foi divulgado pela Polícia Federal.

Cartel mexicano e Porto de Rio Grande, outras investigações
De acordo com o delegado Mertens, ainda é cedo para vincular a ação de Alfonso a cartéis da droga no México. No entanto, a origem dele levanta suspeitas na PF. Ele é natural da região de Sinaloa, onde atua um dos mais violentos grupos criminosos daquele país.

Os investigadores ainda apuram se o mexicano mantinha algum tipo de contato com Luís Carlos Rocha, o Cabeça Branca, considerado o maior traficante do Brasil, preso em julho deste ano, e que estaria no comando do esquema que desencadeou duas operações simultâneas da Polícia Federal nesta terça. As investigações se iniciaram em março de 2016.

Outra linha de apuração, ainda em andamento, investiga rotas alternativas possivelmente usadas pelo grupo que usava blocos de granito para enviar cocaína ao Exterior. De acordo com o delegado Fábio Mertens, as empresas comandadas pelo mexicano utilizaram o porto de Rio Grande para escoar algumas cargas.

— Entre 2012 e maio de 2016, estimamos que eles tenham exportado pelo menos 50 blocos de granito. Em um terço dessas peças, poderiam estar as cargas de cocaína. Não podemos descartar que eles usaram outro porto para envio de drogas, além dos de Santa Catarina — resume Mertens.

A Operação Oceano Branco apurou que os outros núcleos do esquema utilizavam cargas com bobinas de aço e latas de abacaxi para o envio de cocaína a portos europeus.

Fonte: Zero Hora

Deixe um comentário:

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*


147 queries in 2,699 seconds