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Postado em 10 de março de 2019 | 18:32

Bolsonaro quer barrar banana do Equador

O presidente Jair Bolsonaro resolveu lançar uma guerra contra as bananas do Equador. Durante transmissão ao vivo em uma rede social, nesta quinta-feira, ele prometeu “acabar com o fantasma” da importação da fruta.

Produto menor na balança comercial brasileira— a importação somou apenas US$ 78,7 mil nos dois primeiros meses do ano —, uma possível restrição à entrada da banana equatoriana é mais um sinal protecionista de Bolsonaro, o que contraria a visão liberal de Paulo Guedes, ministro da Economia. A medida também poderia beneficiar amigos do presidente.

— Gostaria de pedir desculpas para o pessoal do Vale do Ribeira — disse Bolsonaro no vídeo. — Acho que estão nos finalmente os estudos da (ministra) Teresa Cristina para que esta instrução normativa seja revogada e acabe com o fantasma da importação de banana do Equador.

O presidente disse que “não consegue entender” como uma banana sai do Equador, viaja “cerca de dez mil quilômetros” e chega com o preço competitivo ao Ceagesp (centro de distribuição de hortifruti de São Paulo), quando, segundo ele, há muita banana no Vale do Ribeira.

Protecionismo
Se a restrição for implantada, será a segunda vez que a política econômica liberal do ministro Guedes é colocada em xeque.

O ministro já teve que recuar, por determinação do presidente, e retomar a aplicação de uma tarifa de importação sobre o leite em pó vindo da União Europeia e da Nova Zelândia.

— Isso não deveria surpreender, o pouco que sabemos da visão de Bolsonaro é que ele tem uma visão nacionalista e protecionista — afirmou Monica de Bolle, economista do Peterson Institute, nos EUA.

A medida, caso seja adotada, poderá beneficiar um dos sobrinhos do presidente, que é produtor rural na região do Vale do Ribeira, onde Jair Bolsonaro passou parte de sua adolescência até entrar para a escola militar.

Outro que pode ser beneficiado é Valmir Beber, aliado político dos Bolsonaro no Vale. Ex-presidente da Associação dos Bananicultores da região (Abavar), Beber saiu candidato a deputado federal pelo PSL no ano passado, mas não conseguiu ser eleito. Ele teve pouco mais de dois mil votos.

Uso de agrotóxico
Beber fez campanha no Vale do Ribeira para Bolsonaro e teve apoio da família do presidente.

Logo depois de eleito, Bolsonaro e Tereza Cristina, que já havia sido anunciada como ministra da Agricultura, receberam no dia 4 de dezembro os produtores de banana do Vale do Ribeira.

Além da proibição de importação de banana do Equador, a Abavar pediu apoio para que fosse mantida a pulverização dos bananais com agrotóxicos.

A reportagem não conseguiu falar com representantes da Abavar nem localizar o ex-presidente da associação. O Palácio do Planalto não comentou o assunto até o fechamento desta edição.

Fonte: O Globo

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